quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz 2009!

Me senti-me na obrigação de passar por aqui hoje para desejar um feliz ano novo para todos aqueles que visitam o meu blog de hora em hora diariamente, inclusive praqueles que chegaram aqui digitando 'zeca camargo homossexual' no Google e se sentiram lesados. Que 2009 seja um ano sem crise financeira, sem fome, sem pobreza, sem aquecimento global, sem CD novo da Cláudia Leitttte, sem putaria na Faixa de Gaza, sem Iótti Repórter, sem livros baseados na vida de Eloá, sem verão o ano inteiro, sem velhos decrépitos na direção, sem toalhas de mesa no pescoço, sem Buddypoke, sem aceleração de prótons, sem Ana Maria Braga de pelúcia, sem filmes do Didi, sem filmes da filha debilóide do Didi, sem turismo espacial, sem véia pelancuda no Big Brother, sem dengue hemorrágica, sem pobre que não tem nada perdendo tudo, sem uma nova temporada de Lost, sem vida inteligente na madrugada, sem novela do Aguinaldo Silva, sem pronunciamentos infelizes de pereBento XVI, sem câncer, sem AIDS, sem emos, sem punks, sem mods, sem idosos vegetativos roncando no cinema, enfim, que seja um ano razoavelmente tolerável.
Ficam aqui os meus sinceros votos de muita felicidade para vocês todos, bem lá do fundo do meu coração. Aproveitem bem o Réveillon, bebam todas, façam sexo selvagem, incinerem a tabela de ingestão diária de calorias, abracem pessoas asquerosas na virada de ano e continuem visitando o meu blog no ano que está prestes a chegar. Um grande abraço apertado e suado. Até o ano que vem.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Vade retro(spectiva 2008)

Esse ano foi 95% uma merda. Só não foi 100% merda porque eu deixei de ser um filhinho de papai sem trabalho, sem ocupação e sem namorada e passei a ser um filhinho de papai sem trabalho, sem ocupação e com namorada. Sofri demais com o ócio dos primeiros dez meses, e agora sou todo 'você é luz é raio estrela e luar manhã de sol meu iaiá meu ioiô'. Uma melação de cueca de doer nos dentes. Mas ela é a única pessoa nesse mundo (além da minha mãe) que me acha a coisa mais linda da face da Terra (ou assim espero), mesmo eu tendo um cabeção desproporcional, um pneu goodyear debaixo do umbigo e o cabelo pior do que uma peruca da Marley Soares. O amor é lindo e eu não sabia.
Ta, mas alguns de vocês devem estar se perguntando: esse viado vai ficar aí vendendo a patroa ou vai fazer esse c*r*lh* de retrospectiva de 2008? Então aí vai, em tópicos pequenos e lubrificados para facilitar a penetração:

- A Favorita em HD: a segunda melhor coisa que me aconteceu em 2008 foi essa novela. Eu já violentei pessoas e já deixei de sair com a minha namorada por causa da Donatela. Vocês podem achar que eu tô brincando, mas quem me conhece sabe da gravidade e da veracidade dessa afirmação. E eu não me envergonho disso. Sério. Cala a boca!

- Tiopês: a alegria da plebe em '08 não foi o novo CD do Vítor & Leo ou o casamento da Sandy e Júnior. O miguxês ressurgiu turbinado, intelectualizado, humorizado e fez a cabeça dos indies, emos e de qualquer outra pessoa que queira esconder o fato de não saber escrever em português. Shörei oseanus.
- Fama: não, não é o programa fracassado da Globo. Eu tô falando do meu blog mesmo. Apesar de estar na ativa como profissional do sexo há uma caralhada de anos, foi só em 2008 que as pessoas começaram a me parar na rua pra pedir abraços, autógrafos nos mamilos e tal. Abraço quente pra vocês todos que me acessaram esse tempo todo.
- Yo soy rebelde: Larguei o curso de pós-graduação, larguei o Pilates, larguei as drogas... 2008 significou muito pra mim e pra minha carreira. Acho que agora vai.
- Música: ver postagem no meu outro blog, clicando aqui ó. Muita coisa boa.

Tá, cansei. Eu tinha ainda muito o que dizer sobre o fiasco das Olimpíadas, sobre Isabella a Menina Voadora, sobre o suplício de Eloá, etc, mas acho que já falei demais por hoje. Vou terminar as minhas compras de Natal, assistir o amigo secreto do Vídeo Show e chafurdar na minha meiguice ao lado da minha cara-metade. Muita paz e amor a todos, e que 2009 traga coisas ainda melhores pra mim e pra vocês. Agora vazem de cócoras.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Não faz mal, limpa com jornal

Hoje eu fui abrir a janela pra tomar um ar no rosto e, para minha surpresa, perdi a sobrancelha e os cílios em uma combustão instantânea. Depois de voltar do pronto socorro, comecei a pensar melhor sobre a vida, sobre o verão, sobre o Natal, enfim... A verdade é que tá muito quente. Eu tenho dormido pelado virado de frente pro ar-condicionado com um absorvente debaixo de cada sovaco, e de hora em hora a minha mãe tem que entrar no quarto pra borrifar Caladryl em cima de mim. Não é legal. Em outras notícias, eu passei no vestibular sem estudar nada (PUCRS, ok?) e pretendo abandonar essa vida de bebidas, drogas pesadas e jogos de azar já em março, quando eu começo a tentar entender o que deu errado na minha infância cursar psicologia. Em ainda outras notícias, o Natal está chegando, e somente Jesus em pessoa sabe como isso me deixa feliz. Só de ver o presépio psicodélico-blasfêmico da minha vó eu já sinto o olho lacrimejar com o espírito natalino. Todo ano ela pega a minha coleção de surpresas do Kinder Ovo de quando eu era pequeno e manda ver no esculacho da tradição cristã. Tem helicóptero sobrevoando os três reis magos, dinossauro lambendo o menino Jesus, Maria dirigindo trator... É disparado o presépio mais legal que uma idosa bêbada jamais montou na história da história. E, além disso, tem a ceia, com rabanada, salpicão, peru recheado com muito sarabulho e um monte de nojeira que a gente só come no dia 24 de dezembro porque Deus quis. E sempre tem brigas familiares envolvendo muito sangue, carnificina e nudez gratuita. Bom, dá pra perceber o quanto eu adoro o Natal. Mas por enquanto era isso, pessoal. Daqui a uns dias eu volto com mais conteúdo inédito pra vocês, leitores sedentos. Beijo na nádega esquerda.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Viagem à terra do Papai Noel

Amanda da Silva e Nicole de Souza Eberle acreditam em Papai Noel. Aos 9 (nove) e 8 (oito) anos de vida, as meninas ganharam a promoção do Jornal do Almoço, viajaram para a Lapônia (ou qualquer que seja o nome da biboca onde mora o bom velhinho) e sobreviveram para contar a sua trajetória alucinógeno-infantil aos coleguinhas de aula. Mas voltando ao assunto, a pergunta que não quer calar é: as crianças hoje em dia ainda acreditam em Papai Noel e, caso a resposta seja afirmativa, qual a idade limítrofe para que isso seja considerado socialmente aceitável?


Em tempos onde, aos 12 anos, a maioria das meninas já estão amamentando e os meninos estão pagando pensão alimentícia, é factível que uma pirralha desdentada seja ingênua o suficiente para acreditar que um mascote da Coca-Cola, acima do peso, vestindo casaco de pele vermelho e branco em pleno verão e conduzindo um trenó movido a renas mágicas, vai descer pela chaminé do seu casebre no dia 25 e distribuir presentes de graça só porque há dois mil e poucos anos nascia uma criança bastarda em alguma pocilga lá em Belém?
O regulamento da promoção, que se restringia a crianças de 8 a 11 anos, era particularmente cruel. Basicamente, se o pobre infeliz conseguisse a proeza de passar pelo rigoroso processo de seleção, ele não só nunca mais acreditaria no Papai Noel como teria que iniciar com urgência um tratamento psiquiátrico avançado. Seguem alguns trechos do regulamento:
As crianças autoras das 10 (dez) cartas pré-selecionadas serão comunicadas por telefone e participarão de entrevistas e testes de avaliação, desenvoltura e comunicação em data previamente comunicada pela RBS TV.

Caso nenhuma criança atinja os padrões desejados nos testes e entrevistas realizados, conforme item 4.5., a Comissão Julgadora se reserva no direito de não selecionar nenhuma criança. A decisão da Comissão Julgadora é inquestionável e irrevogável, não cabendo recurso de qualquer espécie.
Logo, ou essas crianças acreditam mesmo em Papai Noel, ou as mamães e papais se aproveitaram do retardo mental de seus filhos para faturar passagens de ida e volta para a Finlândia. Ou as duas coisas. Mas quem sou eu pra reclamar? Provavelmente se essa promoção valesse para crianças de 22 anos, eu também escreveria uma cartinha dizendo 'Por quê quero visitar o Papai Noel.' Pena que eu só me fodo em entrevistas profissionais...

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Um 4 de novembro histórico (Parte 2)

Jornal do Almoço em HD pra quem? - Ontem à tarde, o ministro Hélio Costa esteve em Porto Alegre para assinar os termos de consignação dos canais digitais na cidade. Isso significa que a HDTV chegou, final e oficialmente, à capital gaúcha. Para comemorar (e para reassegurar a sua superioridade), a RBS TV - além de ter sido a primeira a liberar o sinal digital ontem mesmo - exibiu hoje uma edição especial do Jornal do Almoço, transmitida diretamente do Largo Glênio Peres em HD. Lasier Martins e cia., ainda visivelmente desinformados sobre a nova tecnologia, mostraram as belezas do nosso Estado em alta definição para o seleto grupo de telespectadores que compraram um conversor digital. O resto da população da Grande Porto Alegre ficou chupando o dedo e se perguntando: e daí?

Enquanto a emissora dos Sirotsky martelava os benefícios da revolução digital e como ela vai mudar a sua vida, a maioria dos gaúchos estava apenas estranhando o enquadramento errado e o fato de a câmera não chegar muito perto da turma da melhor idade *cof* Ana Amélia Lemos e Paulo Sant'anna *cof*. Foi um primeiro passo muito importante, e uma edição verdadeiramente histórica deste que é o telejornal mais tradicional do RS, mas a desinformação ainda supera a adesão por uma grande margem. Quando deparada com uma imagem em HD, por exemplo, a minha avó questionou: isto é a terceira dimensão? Ou seja, temos um caminho longo pela frente, sendo que o sinal analógico só será desligado definitivamente em 2016. A RBS, com o seu pioneirismo e farta verba, deu o tiro de largada para a corrida digital no Estado e está de parabéns, apesar de a NET não ter liberado o sinal da RBS TV HD a tempo de eu assistir ao Jornal do Almoço... Mas é a vida.

Um 4 de novembro histórico (Parte 1)

O presidente negro - Para aqueles que conseguiram ler o romance de Monteiro Lobato até o fim, meus parabéns. Lá depois da metade eu cansei da narrativa e desisti, mas li o suficiente para poder citar aqui e dar uma de bacana com o meu conhecimento de orelha de livro. Apesar de o autor fazer uma penca de previsões acertadas em seu visionário romance, irei me ater à mais óbvia e pertinente no momento.

Ontem, Barack Hussein Obama venceu as eleições em um pleito que nasceu histórico, já que, pela primeira vez, uma mulher e um homem afro-americano possuíam chances reais de concorrer e chegar à presidência do Império Americano. Se tudo der certo, e se os republicanos tiverem dificuldades em assassinar o pobre diabo até lá, em janeiro a Casa Branca passa a ser chefiada pelo primeiro presidente negro da história americana. É no mínimo emocionante observar o longo caminho que percorremos desde os tempos da escravidão e da segregação racial até este fatídico 4 de novembro de 2008.
'That's one small step for man; one giant leap for mankind', sentenciou Neil Armstrong no set de gravação do vídeo da chegada do homem à Lua. Quase quarenta anos depois, podemos parafraseá-lo para atestar a força simbólica desta eleição. Obviamente, a população americana votou pela redenção após oito anos de inferno; votou contra a infeliz escolha do partido republicano para vice-presidente; votou assombrada por uma crise financeira que sacudiu as bases da superpotência. Mas votou, acima de tudo, no candidato que fez a campanha mais limpa, mais concisa, e que acabou se tornando uma espécie de profeta da mudança da qual os Estados Unidos da América (e o resto de nós) tanto precisam.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Coisas que estão me irritando no momento - 2008 (v.2)

Vai se usar muito nesse inverno, querida - Pra quem não sabe, a última moda em Porto Alegre é enrolar toalha de mesa xadrez com pompom no pescoço e sair na rua como se nada estivesse acontecendo. Depois da tentativa de ressuscitar as galochas de borracha com estampa infantil para raparigas adultas, o acessório que está fazendo a cabeça de vinte entre dez mulheres gaúchas (e alguns homens, deve-se acrescentar) é um pedaço de trapo do tamanho de um lençol que o/a anormal dobra de forma irritante, enrola no pescoço e jura que não está parecendo um débil mental em fuga. Vocês já devem ter visto por aí, e alguns devem até estar usando e me amaldiçoando neste momento. Mas azar é o seu. Eu passo.

Embuchou, aguenta - Ok, ok. Os deficientes físicos têm todo o meu apoio. Afinal de contas, a locomoção pra eles, na maior parte dos casos, é mais complicada e é legal disponibilizar vagas especiais pra dar uma mão na roda (trocadilho não intencional. Quer dizer, mais ou menos). Agora, vai me dizer que uma mulher que está esperando um filho merece uma vaga na portinha do shopping? Faça-me o favor. Se a mulher está tão grávida a ponto de precisar de uma vaga especial em um estacionamento, então que diabos ela vai estar fazendo em um shopping? Pelo amor de Jesus. A bolsa estourando e a mulher lá filando um McDonald's? Vamos criar vergonha na cara, gurizada. Gestante não é deficiente. Apesar de algumas mulheres no volante merecerem a vaga para excepcionais... mas isso já é um outro assunto.

Pára, Bial - Pouca gente percebeu, mas, durante as Olimpíadas, o Pedro Bial resolveu voltar discretamente à ativa como repórter sério. Depois de apresentar o Big Brother por dez anos, o cara me aparece como correspondente internacional e espera que eu leve a sério a opinião (ele faz reportagens opinativas) de uma pessoa que chorou abraçada no Alemão e que fez beicinho quando provou que sabe menos sobre mitologia grega do que um reles bróder. E agora ele deu pra fazer análises profundas sobre a corrida presidencial nos EUA, todas elas menos empolgantes do que os discursos de dia de eliminação. Ao menos a Marisa Orth* recolheu a sua insignificância a tempo de não se queimar totalmente em rede nacional. Pense nisso.

*pra quem não lembra, ou tem vergonha de dizer que lembra, a Marisa Orth começou apresentando o Big Brother ao lado de Pedro Bial, mas foi expulsa depois de fazer uma merda federal ao vivo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Alô, é do cativeiro?*

Nem bem a Isabella esfriou no caixão após alçar vôo e a grande mídia já encontrou a sua nova menina dos ovos de ouro, que vem fazendo a alegria das redações jornalísticas Globais e não-Globais desde o começo da semana passada. Nada mais é considerado absurdo (na opinião deste humilde blogueiro, ao menos) na cobertura midiática de 'tragédias nacionais', como a de uma menina que foi assassinada discretamente pelos pais, a de outra que foi mantida refém pelo ex-namorado favelado de nome chique, a do bebê que ficou pendurado na cerca pela fralda, a da família baleada por policiais dentro do carro, e por aí vai. Tudo é possível sob o novo modelo Big Brother de jornalismo, que sangra através da televisão e tinge de carmim as páginas de periódicos.

Se a Sônia Abrão sentir vontade de ligar para o seqüestrador enquanto ele mantém o pessoal no cativeiro, dou todo o apoio. Afinal, que mal tem uma repórter semi-profissional senil bater um papo descontraído com o Lindemberg enquanto ele aponta a arma para a sua amada menor de idade? Deixa a mulher ser feliz! E se o William Bonner quiser mostrar um infográfico detalhando quais órgãos de Eloá serão doados a quem, no melhor estilo 'curso intensivo para açougueiro', tudo sussa. Deixa o cara. Além de receber órgãos fresquinhos, assim o pessoal também aproveita para torrar os seus quinze minutos de fama, tudo em uma tacada só.
O que importa se a polícia fez cagadinha e explodiu a porta na hora errada ou se o pai da Elô é um serial killer foragido ou se o Datena ficou brabinho por não ter conseguido o número do Lindemberg antes da concorrente? Eu quero saber é se o Pato vai ou não visitar a guria que sobreviveu e quer tirar R$2.000.000 do Estado, apesar de ter voltado ao cativeiro por vontade e imbecilidade próprias. Parafraseando Michael Stipe: it´s the end of the world as we know it (and I feel fine).

*Para os chocados de plantão, duas palavrinhas amigas: fodam-se!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Foi mal, Celina. Beijo, me liga.

Só Deus sabe o quanto eu penei com as aulas de educação física no colégio. Pro meu azar, nasci o típico filhinho da mamãe que sofre de asma e bronquite crônica e que tem dificuldades de aceitação em aglomerações sociais. Somando-se ao meu histórico de fracassado, o máximo de atividade física que o meu corpo processava era mastigar as famosas torradas de três andares da minha avó e acompanhar as aulas de aeróbica da Jane Fonda em Video Laser (sim, video laser. Procurem no Google) durante as tardes livres.

Todo começo de ano era a mesma odisséia, quando meus pais saíam em busca do atestado médico que garantiria a minha alforria fisiológica e, ao mesmo tempo, prenunciaria a usual tortura psicológica por parte dos corpos docente e discente. Contando por cima, arrisco dizer que jurei de morte pelo menos uns cinco professores, do jardim de infância até o final do ensino médio. Na minha ingênua e pacífica mente infanto-juvenil, todo professor de educação física era um ser humano fracassado e pervertido que não conseguiu ser atleta profissional nem professor de verdade e cuja vida pessoal e sexual era de fazer chorar a criancinhas indefesas, e, por isso, eles descontavam as suas frustrações pessoais nos pequenos sacos de pancada que eram os seus alunos, mas, acima de todos os outros, eu próprio.
A situação ficou crítica quando fui chamado para uma sala escura dentro do ginásio (calma, minha gente, eu não fui vítima de pedofilia, até onde eu me lembre) por um professor que, além de frustrado sexualmente e pessoalmente, poderia ser usado como enfeite de jardim com a adição de uma touca vermelha e uma túnica verde. O conteúdo dessa conversa muito séria e produtiva para o meu desenvolvimento como ser pensante me foge no momento, mas era algo envolvendo os motivos do meu ódio por ele, e o que poderia ser feito para amenizar a minha ira infantil. No final das contas, decidiu-se que, se eu lesse uma reportagem do caderno esportivo por semana, colasse em uma folha pautada e resumisse a dita cuja, tudo estaria resolvido e a minha ficha criminal seria zerada. O que veio bem a calhar, após mais de dez anos sofrendo nas mãos (conotativamente falando) dos mais diversos tipos de (atenção para as aspinhas com os dedos) profissionais da saúde.
Deixei o modo 'um pé atrás' ativado em relação a professores a partir do momento em que um quadrúpede fantasiado de gente escreveu família com 'LH' no quadro negro, diante de crianças desprotegidas, logo na primeira série. De ali em diante, minha missão nesta Terra se tornou clara: desmascarar professores, educadores e o resto da cambada de anormais que descontam sua baixa expectativa de crescimento profissional em terceiros. Acho que fiz um bom trabalho. Fui cruel demais, às vezes, mas é preciso lidar de igual para igual com algumas espécies de gente. E o lado sadomasoquista da história? Eu faria tudo de novo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Os perigos da televisão digital

Lembram quando a televisão deixou de ser em preto e branco? Pois é, nem eu. Mas estão dizendo por aí que a transição entre o padrão standard e o digital é a maior evolução na história da transmissão televisiva desde o advento da imagem a cores. Tendo aderido à NET Digital HD Max - isso mesmo, aquela da propaganda onde o instalador da NET tem que ser arrastado pra fora da residência do cliente - há mais ou menos um mês, eu gostaria de compartilhar com vocês algumas impressões sobre o novo velho xodó de um entre cada dois early adopters (s. m. Anormais que necessitam comprar bugigangas inúteis antes de todo o resto da população; pessoas com problemas emocionais que exorcizam suas frustrações no ato de consumir em demasia; delinquentes mentais). Afinal de contas, a HDTV vai mudar a sua vida?

A resposta curta e grossa é: não, não vai. A resposta longa e dura é: entretanto, as imagens em alta definição mudam a forma como a pessoa assiste à televisão, tanto positiva quanto negativamente. O impacto é tão grande no começo - e olha que a NET comprime as imagens em 2003023 trilhões de vezes - que o primeiro sintoma observado é ficar assistindo ao Programa Amaury Jr. até altas horas da matina contando quantos pontos de lifting facial o nosso querido socialite levou até hoje. Ou perder a tarde em frente à TV hipnotizado pela beleza profunda das olheiras da Sônia Abrão. É tudo tão bonito em HD. Dá até vontade de beijar o Bóris Casoy na boca.
A NET oferece - até o momento de escritura deste post - apenas três canais em alta definição: Globosat HD, RedeTV HD e Band HD. O primeiro deles é um mix de conteúdos de canais Globosat (surpresa!) em alta definição (dupla surpresa!), como desfiles de moda sob o selo GNT HD, shows de música sob o Multishow HD, e por aí vai. As reprises são constantes, mas sempre tem conteúdo novo (na medida do possível). O grande trunfo do novo decodificador é a função DVR (digital video recorder), que permite ao usuário agendar a gravação de programas de forma personalizada, em um HDD de 160Gb. É como um TiVo de pobre, lançado dez anos depois do original para a tupiniquinzada sossegar o facho. Mas, quer saber? Tá valendo. Pelo menos assim eu não perco um capítulo da novela das oito e ainda posso pausar a programação ao vivo quando quiser, pra ir no banheiro, dar uma volta na quadra ou simplesmente me exibir.

No geral, estou bastante satisfeito com o produto. Claro que eu preferia que a NET não fizesse um trabalho porco de compressão da imagem, e que outros canais em HD fossem lançados ainda este mês, mas a vida é feita de altos e baixos. A pergunta que não quer calar é: eu vou poder assistir ao final de A Favorita em alta definição ou não? É só o que eu peço!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Fresnoooooo <3

Desculpa, pessoal. Tenho andado meio emo ultimamente. Logo eu que odeio blog de gente emo. Mas tudo leva a crer que vibrações positivas estão a caminho, com a entrada de Júpiter em Sagitário e com o ótimo posicionamento da Lua em relação ao Sol , que - dizem - favorece o trabalho mental dos vagabundos desempregados coçadores. Portanto, assim que o universo começar a conspirar a favor dos leoninos com início de depressão, eu publicarei textos inéditos aqui neste espaço. Textos felizes, inspiradores e reacionários. Basta ter paciência. Grato pela compreensão.

sábado, 27 de setembro de 2008

'Mãe, tem um feijão no meu garfo'

Estamos no século XXI. Muita coisa mudou no mundo após a queda do Muro de Berlim. Mais ainda após a implosão das Torres Gêmeas. As pessoas foram espreguiçadas pela tecnologia, e agora estamos à mercê de telefones celulares do tamanho de supositórios e vivemos a máfia do fone-de-ouvido branco. A Terra ficou mais quente. Uns dizem que é por causa da quantidade de vacas peidando por aí, outros dizem que é tudo culpa dos Escrotos Unidos. Há ainda os que não acham que a Terra esquentou, e os que acreditam piamente na vídeo-montagem tosca da chegada do homem à Lua e no Papai Noel da Coca-Cola.
Entretanto, uma coisa sobrevive misteriosamente à entrada e à saída dos séculos: a propaganda enganosa. É de se pensar que, em pleno 2008, não pudesse ser considerado normal eu sentar no sofá e assistir a um comercial onde uma atriz - se fazendo passar por uma publicitária descolada cheia de briefings e cases e papers - é entrevistada por outra atriz - que faz as vezes de entrevistadora profissional -, em um bate-papo ultra informal sobre como a lavadora Brastemp é uma mão na roda após jantares com amigos e bacanais de toda a sorte.
Rapaz prendado que sou, senti verdadeira angústia quando as duas discutiam sobre o 'mito de que lava-louças não lava panelas direito'. Se eu contasse as vezes em que fui tirar os talheres da máquina e me deparei com uma refeição completa dentro de cada cesto, a minha mente ia explodir. Isso sem falar no avançado sistema de secagem, que te faz desejar a morte e te obriga a apelar pro pano de prato. Também, o que se pode esperar de uma empresa que vende assinatura de purificador de água (é sério), lança uma espécie de kinder ovo que lava calcinhas e deixa de fabricar fogões com acendimento automático de uma hora pra outra (minha bisavó manda lembranças do além-túmulo).
No próximo episódio: só a Philips tem a tecnologia 3P (Philips Pixel Plus, dã)? Uau. Fique ligado.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Ainda sobre o fim do mundo...

Imaginem uma pessoa que há mais ou menos vinte e cinco anos era apenas uma prostituta comum. Agora coloquem um par de cones por cima dos peitos dela e um microfone na mão. Pronto, ela virou cantora. Imaginem agora que ela é um asno como ser humano, e que o show dela se baseia em efeitos especiais de última geração e uma backing vocal que canta no lugar da própria. Errou quem disse Britney Spears, até por uma questão de idade. Também errou quem disse Xuxa, já que a Rainha dos Baixinhos nunca usou sutiã em forma de cone - pelo menos em público.
O fato é que as pessoas estão desembolsando altas somas em dinheiro para assistir a uma jovem senhora sem talento se esfregando em um poste (haja Vagisil) e fingindo que toca guitarra diante de uma platéia de milhares de pessoas que sofrem de impedimento auditivo. Os shows da tia Madonna aqui no Brasil custam os dois olhos da cara, mais o terceiro e o quarto olho - em casos de fêmea legítima -, o que torna os ingressos os mais caros de todo o Sistema Solar. Entretanto, acho que em nenhum outro país os caras venderam tanto ingresso, sendo que um show extra é agendado por semana, no Rio e em São Paulo.
Com a modesta receita das vendas, a Rainha do Pop pode adotar todas as crianças órfãs do continente africano e ainda garantir a educação da Lourdes Maria e do Rocco, bem como a subsistência da sua estirpe pelas próximas três gerações. E ainda sobra dinheiro para produzir mais cinco exercícios masturbatórios cinematográficos e gravar três álbuns de excrementos com sucesso garantido. Pelo menos até a Britinei herdar o trono e ocupar o posto que lhe é de direito. Já consigo até ver os meus filhos questionando, assim como eu questionei no meu tempo: "Como foi que ela conseguiu chegar tão longe, papai"?. E a resposta: "Ninguém sabe, meu filho. Ninguém sabe."

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

E viva o hedonismo!

O mundo está acabando. E não, eu não sou descendente direto do Nostradamus. As evidências estão aí pra todo mundo ver. Pra cada quinze mequetrefes revirando uma lixeira em busca de restos de alimentos tem um Michael Phelps se lambuzando de McDonald's e Coca-Cola pra tentar bater mais um recorde mundial medíocre. Enquanto meia dondoca chafurda em um banho de chocolate e faz a assepsia de sua genitália com vinho tinto, vinte e cinco crianças observam suas panças incharem devido à desnutrição em algum lugar da África. Eis a crise dos alimenos para leigos.
A indústria do bem-estar? Vai muito bem, obrigado. O mercado do luxo? É só perguntar pro Amaury Jr. Embora seja difícil de processar esta história toda de mundo corporativo na minha mente publicitária envergonhada, o máximo que posso fazer é tentar me manter são em meio a essa selva de interesses e dinheiro vivo que nos está levando à perdição, no melhor estilo Frodo Bolseiro - sem a putaria toda com o Sam e com os outros anões homossexuais. É gente defendendo o 'direito' de fumar em lugar fechado - *cof* crime doloso *cof* -, gente aguardando dois anos na fila para comprar uma Ferrari só pra dirigir a 240km/h dentro da cidade e bater num poste, cientistas torrando bilhões pra simular o Big Bang em miniatura...
O mundo está acabando, de fato. E já que chegamos tão baixo, e as chances de uma reviravolta no sistema são virtualmente nulas, acho que o melhor a se fazer é relaxar e gozar do mais puro descaso com o próximo, em prol do prazer de cada um de nós. Vamos jogar latinha de refrigerante pela janela do carro, vamos rir de propaganda de cerveja, injetar gordura vegetal hidrogenada direto na veia! Cansou de cuidar dos filhos? Taca pela janela de uma vez. Velhinha atravessou no sinal verde? Strike nela.
Esqueçam o aquecimento global, alimentos orgânicos, veganismo, fair trade. Tudo balela. Vamos comer ovo de galinha presa em cativeiro, beber leite com hormônio de crescimento bovino, ajudar a manter a Souza Cruz no lucro. Aproveitem bem o momento. Mas aproveitem rápido, porque o mundo está acabando.

sábado, 30 de agosto de 2008

Os dois lados da propaganda política

Um verdadeiro show de horrores esse horário eleitoral. A cada ano que passa a gente pensa que os marqueteiros políticos finalmente colocaram o rabinho entre as pernas e rastejaram de volta pro buraco de onde nunca deveriam ter saído, porém, ano após ano somos bombardeados com um espetáculo teatral grotesco que não poupa esforços para fazer com que a dona Josefina Lavadeira acredite que a Maria do Rosário possui emoções humanas, ou com que o seu Zé da Vila do Cachorro Sentado se identifique com a história de vida da vovozinha do Onyx Lorenzoni.
Só não contaram pra coitada da Manoela que sair abraçando criancinhas é tão século XX que chega a doer na retina. E também esqueceram de alertar a ex-poodle toy Luciana Genro que fazer chapinha em propaganda política, apesar de ser hilário - na opinião deste humilde blogueiro -, só vai fazer com que o pessoal nutra mais ojeriza por ela e pelo seu deserdado pai.
Nem é preciso comentar o desfile de aberrações dos candidatos a vereador, que vão desde taxistas que prometem a mudança da cor dos veículos até velhinhos caquéticos com os dois pés e as duas mãos na cova, só com a cabecinha ainda aparecendo.

O que nos leva ao outro lado da propaganda política. Ou da não-propaganda política. Pra quem não sabe, o Washington Olivetto é um dos publicitários brasileiros mais venerados de todo o sempre. Isso mesmo, aquele que foi seqüestrado e que fez o comercial do primeiro sutiã que a gente nunca esquece.
Pois é, o Olivetto é o responsável pela campanha de votação desse ano. Aquela do 'quatro anos é muito tempo'. Eu descobri isso sem querer num dia em que assistia TV com a minha mãe. Estávamos ambos sentados no sofá quando apareceu um cara falando que tinha uma abelha dentro do ouvido há quatro anos. Como boa estudante de psicologia, sem tirar os olhos da tela, minha mãe diagnosticou precipitadamente, em tom pesaroso: 'esquizofrenia'. Eu estava até concordando, até que o comercial chegou no trecho onde o homem conta que estava um dia no parque e a abelha entrou no ouvido dele e nunca mais saiu. A partir dali o que nos parecia um comercial integrante da campanha pelo tratamento da esquizofrenia se mostrou apenas mais uma das crias de Washington Olivetto, junto com o comercial do cara que sapateia involuntariamente, do imbecil que perde a passagem do cometa Haley, da débil mental que dá meia-volta antes de passar por alguma porta, etc. Tudo a ver com a responsabilidade do voto consciente. Como é a norma em publicidade: conscientização social = zero; gracejo massageador do ego = 100000.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Dois anos de Suicídio

Nem parece, mas já faz um par de anos desde que eu concebi do espírito santo e dei à luz esta aberração da natureza, a qual eu escolhi criar com carinho de pai e mãe. Pra falar a verdade, eu já tinha um blog antes desse, mas poucas ovelhas do senhor tinham acesso a ele e o precário sistema de atualização acabou causando o surgimento de ulcerações em locais onde elas não deveriam ocorrer normalmente. Foi então que eu resolvi cortar o mal pela raiz e tentar recomeçar do zero, num desenrolar de fatos fortemente excitante e emocionante que não caberia contar aqui no momento (está tudo no meu livro, que está no prelo).
Em sua atual encarnação, o Suicídio Profissional vem arrebatando leitores de norte a sul Brasil, isso sem falar no pessoal de fora (abraço forte pra galera do Quirguistão e da Eritréia), tornando-se um dos blogs mais acessados do mundo em sua categoria. A demanda foi tão grande que eu me vi na obrigação de criar um outro blog para desafogar o servidor: o Matiné Musical, que me traz muita alegria e satisfação pessoal.
Estou tão transbordante de alegria neste momento que as palavras me faltam, mas cada um de vocês, leitores, é especial para mim, e faz com que eu encontre uma brecha na minha concorrida agenda para suprí-los semana após semana com o que há de mais avançado nos estudos sobre a autofagia celular em aves de pequeno porte. Passemos juntos da fase anal para a fase genital desse projeto com a esperança de um mundo melhor para todos.
Agradecimento especial para as três pessoas que eu mais amo nessa atual vida, embora elas não saibam que eu tenho um blog. Como diria o Oswaldo Montenegro: ' se em terra de cego quem tem um olho é rei, imagine quem tem os dois'. Ou coisa parecida. O que importa é que ele tá comendo a Paloma Duarte.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Olimpíadas vermelhas

"É triste ver os Jogos Olímpicos sendo ofuscados pela Coca-Cola e pelo McDonald's", desabafou a guia turística durante um city tour em Atenas, no começo do ano. Passávamos pelo estádio berço das Olimpíadas modernas, e Zoi ('vida' em grego), uma guia radicalmente anti-corporativista dona de uma simpática, porém gélida personalidade para grego ver, imiscuía criticismos às luxuosas lojas atenenses em meio a informações históricas sobre o Parthenon como quem lixa as unhas enquanto canta a macarena.
O que diria Zoi, então, do iminente Beijing 2008? Em meio a esforços de reconstrução devido a terremotos recentes, uma constante tensão política entre Tibete e o governo do país, tentativas artificiais de amenização dos efeitos nocivos do crescimento econômico chinês no ambiente, protestos de atletas, além de uma pressão cada vez maior exercida sobre a população para que nenhum desses detalhes incômodos atrapalhe o andamento de um megaevento como os Jogos Olímpicos, a China tem em mãos um enorme elefante branco prestes a explodir e espalhar matéria fecal por cima das milenares muralhas e da Praça da Paz Celestial.

Tudo, obviamente, mascarado por ostensivas campanhas envolvendo bonequinhos da péssima animação Kung-Fu Panda no McLanche Feliz (que na China se chama McMao Lexotan 100mg) e inserções massacrantes da Happiness Factory da Coca-Cola nos intervalos de todas as partidas de todas as modalidades esportivas. Até a Pepsi mudou a cor da embalagem, do azul para o vermelho, em uma jogada de marketing que deve ter deixado os executivos da The Coca-Cola Company sem saber o que os atingiu. Só não vale publicidade de cigarro e de estimulantes sexuais, até porque a última coisa que eles precisam por lá é mais um lote de criancinhas abandonadas dentro de quartos escuros soltando fumaça pelas ventas.
O Beijing 2008 já nasceu fadado à polêmica. Promete entrar para os anais da história como uma das edições mais controversas dos Jogos Olímpicos - um evento unificador dos povos, simulacro da paz mundial, cujo logotipo simboliza a união dos cinco continentes que, apesar da parafernália tecnológica e da esculhembação cultural pós-moderna, estão ficando cada vez mais distantes entre si. O desfecho é sempre o mesmo: os EUA levam todas as medalhas de ouro, as russas esculacham geral na ginástica, a Daiane dos Santos torce o joelho, alguma machona da natação toma bomba e outra leva uma sova do pai em rede nacional.
Mas o que diria Zoi de tudo isso?

domingo, 20 de julho de 2008

Volta, Glória Maria!

Pra mim é fácil saber quando chegou o domingo. Normalmente é o dia em que eu tenho muita vontade de dar uma de Isabella e rezar pra cair pelado em um tonel de ácido sulfúrico. E isso só de ouvir a voz do Fausto Silva e as risadas gravadas do auditório holográfico que eles colocam para assistir a vídeo-cacetadas filmadas em meados do século passado, onde uma pessoa idiota invariavelmente é sodomizada por um animal doméstico ou por um parente mais idiota do que ela própria perante a câmera. Não é fácil para mim nem pra ninguém.
Mas se o Faustão sofresse falência múltipla de órgãos durante uma cirurgia de redução do estômago, ninguém ia dar falta daquela massa amorfa de gordura trans por, no mínimo, uns dez anos mais, o tempo suficiente para que a Globo se utilizasse do seu "Q" para encontrar um substituto. Agora, no momento em que tiram a Glória Maria do Fantástico e colocam uma tal de ex-meteorologista recauchutada que comeu o Zeca Camargo à força no teste do sofá, é sinal de que a Rede Globo de Televisão perdeu o referencial. Gostando ou não, Glória Maria é Glória Maria. Ou alguém já viu a Patrícia Poeta conduzindo entrevistas em inglês, perdendo um pedaço da orelha em rede nacional ou se materializando na Fifth Avenue com a mesma classe? Claro que não, porque a Glória é simplesmente a única repórter septuagenária viva no Brasil atualmente que consegue manter um alto nível de profissionalismo aliado às mais avançadas técnicas de conservação biológica. E cada domingo sem Glória Maria é mais um domingo deprimente e facilitador de suicídio.
Assim sendo, pelos motivos expostos e por mais uma série de outros fatores que aqui não caberiam, inicio neste momento uma campanha nacional pela volta da Glória ao comando do Fantástico ainda em 2008. Volta, Glória Maria!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Trauma de infância (com moral no final)

Quando eu era pequeno, o meu avô não deixava a gente puxar a descarga depois da meia-noite. Não importava o tamanho do estrago feito dentro da privada, o sono dos vizinhos não podia ser perturbado sob circunstância alguma. Ah, e nós não podíamos assistir à televisão com som também, senão ele podia acordar a qualquer momento de mais um monólogo noturno e começar a berrar palavrões muito adequados para crianças lá da sala onde ele dormia com a minha avó. Isso quando não partia pra agressão física. Pela manhã, os dejetos de uma noite inteira de silêncio no quarto de banho se amontoavam até as bordas do vaso sanitário, e, se eu não me engano, ele mesmo ia lá, orgulhoso, e mandava-os embora.

Eu tinha lá os meus 10, 12 anos e não percebia naquela época que o meu avô era uma espécie de precursor do movimento ambientalista; que, por trás de todo aquele mijo e eventuais fezes acumulados, encontrava-se um honrado guardião dos recursos naturais do nosso planeta, disfarçado de velho rabugento e brocha com espírito de porco preto. Outro dia mesmo eu assistia ao programa ‘Um Lar de Desperdício’, comandado pela irmã mais jeitosinha da Free Willy (ver foto abaixo), no GNT, e ela falava sobre como na casa dela a regra era a seguinte: se estiver amarelo, deixe assim; se estiver marrom, mande embora. Quer dizer, meu avô estava anos-luz à frente do seu tempo, já que não importava a cor da bosta toda, a gente tinha que deixar como estava, economizando milhares de litros de água por ano e, o mais gratificante de tudo: sem acordar a vizinhança.


Traumas infantis à parte, sempre que falta água aqui no bairro hoje em dia eu lembro daquela época cheia de surpresas, umas mais amarelas, outras com tendências amarronzadas, e penso: as pessoas não dão valor nenhum à água. Na última vez que o abastecimento foi suspenso por aqui, eu fui obrigado a encher a caixa do vaso pra mandar embora algo de que eu não me orgulho muito, e fiquei surpreso ao verificar a quantidade de água que vai embora a cada vez que eu aperto aquele maldito botão. Foi chocante demais para uma pessoa que não demora mais do que cinco minutos no banho, que escova os dentes assistindo televisão bem longe da torneira (fechada) e que fulmina empregadas domésticas e zeladores que usam mangueira pra varrer a calçada.

Que o mundo está acabando não é novidade nenhuma pra ninguém, além de ser um grande, grosso e doloroso clichê do nosso tempo. Mas as pessoas foram cegadas a tal ponto pelo capitalismo selvagem (clichê número dois) que chegou a hora da natureza se virar contra os humanos. Pensem em algo como o filme ‘Fim dos Tempos’, só que com diálogos convincentes e atuações boas. E sem árvores vingativas. E sem o Mark Wahlberg. Pode soar meio Sharon Stone bêbada em Cannes, mas é o karma, pessoal. Estamos entrando na era do terremoto como contenção de despesas, do tsunami como eliminação de excesso de contingente, e por aí vai. É triste, mas é verdade. É muito carro, é muita gente, é muito lixo. Não tem mais espaço. Simplesmente não tem onde caber 6 bilhões, 8 bilhões de anormais, cada uma com um carro. Graças à tecnologia e à evolução da espécie, a tendência é que as pessoas comecem a viver até os 150 anos daqui a muito pouco tempo, e eu não sei se quero estar aqui pra ver essa putaria geriátrica tomar forma.

domingo, 15 de junho de 2008

Coisas que me irritam no momento - Edição 2008

Venho a público pedir desculpas pela falta de atualizações, mas tenho ótimos motivos, e espero que entendam. Prometo não ficar mais um mês sem postar novamente, e aqui vai um tijolaço para que eu possa me redimir pelo descaso e pelos possíveis danos causados ao público leitor: uma relação de coisas que estão me incomodando muito, ou que me incomodaram nesses seis primeiros meses de 2008. A segunda metade vem lá em dezembro. Abraço apertado e um beijo da Xuxa em cada um dos seus corações!

Binóculos no sinal
e a minha avó
Vender balinha de goma no sinal: politicamente incorreto, mas ok. Vender santinho no sinal: aceitável. Vender kit de costura no sinal: vá lá. Vender mapa-mundi no sinal: Jesus Cristo Superstar! Agora, vender binóculos no sinal ultrapassa o meu conhecimento. Além da minha vó, que gosta de espiar os vizinhos pela janela em plena luz do dia, eu não vejo razão por que uma pessoa em sã consciência pararia na sinaleira pra comprar um par de binóculos de qualidade duvidosa por comodidade e preço baixo pra bancar o Rambo gaúcho classe E. Moderadamente irritante.

Sinal amarelo? Onde?
Quem dirige sabe que não tem coisa mais irritante do que a duração do sinal amarelo dos semáforos de Porto Alegre. Parece que o tempo entre o verde e o vermelho foi precisamente cronometrado para despertar o instinto suicida/homicida/genocida dos seres humanos gaúchos, transformando o temível 'amarelo' em uma espécie de limbo infernal. Ao invés de sinalizar 'atenção, o sinal vai ficar vermelho daqui a pouco, pessoal. Diminuam a velocidade', somos bombardeados com algo mais semelhante a um 'atenç...putz já ficou vermelho esse caralho do Satanás!' Não dá tempo nem de ser obrigado a passar no vermelho, nem de frear bruscamente pra evitar levar uma multa. Extremamente irritante.

Over the Rainbow versão remix do gordo havaiano
Ahh, O Mágico de Oz... quanta nostalgia, quanta saudade do tempo em que histórias envolvendo menininhas drogadas e espantalhos homossexuais passavam por entretenimento infantil. E quem não se lembra da musiquinha do 'aaaaaaléeeeem do árco-íriiis bla bla bla'? Pois é. Acontece que, passados uns 40 anos, veio um obeso mórbido havaiano e fez um cover dessa música, que acabou virando a trilha sonora de 349 entre cada 350 powerpoints enviados por pessoas desocupadas. Como se não bastasse, virou música de fundo de alongamento de academia, canção-tema de formandos sem noção, trilha de fundo de comercial de varejão, entre outros. Mortalmente irritante.

WC Repórter
A Web 2.0 trouxe coisas muito úteis e divertidas, outras nem tanto, e outras ainda que estão provocando a decadência da humanidade. Dentre elas, a praga do jornalismo participativo, obrigatório em qualquer portal de notícias atualmente. Pra refrescar a memória dos mais matusaléns, coisas como o 'VC Repórter' do Terra, o 'Minha notícia' do iG e o 'VC no G1' do G1 estão contribuindo para a destruição dos valores da sociedade e para a banalização da violência e da morte mundo afora. Quem não viu, nos momentos que seguiram à tragédia com o avião da TAM, as chamadas de 'você viu o acidente?', 'você chegou perto ou tocou em algum corpo carbonizado?', 'você estava dentro do avião no momento do impacto e saltou pela janelinha?', acompanhados de um singelo e estimulante 'mande suas fotos para a gente!'? É cruel demais, e tem que acabar. Decadentemente irritante.

Pimenta no... olho dos outros é refresco
O ego humano é coisa mais linda de Deus. Eu mesmo vivo aplicando testes psicológicos sem que as pessoas saibam, cujos resultados serão publicados no meu livro, que está no prelo. Mas posso adiantar que um dos testes mais irritantes é o da pimenta. O problema: as pessoas não gostam de admitir que sentiram a pimenta arder, mesmo que estejam lacrimejando abundantemente e criando uma hemorróida em tempo real bem na sua frente. Cada vez mais as pessoas estão perdendo a noção do ridículo em troca de reconhecimento social e dilatamento anal devido à ingestão excessiva de pimenta. Meu tio - que chocou uma geração inteira de primos ao alertar, durante um churrasco, que o salsichão era 'de romper o ânus' - é daqueles que vai colocando pimenta, e mais pimenta, e quanto mais as pessoas duvidam da masculinidade dele, mais ele vai contendo o choro e criando bico. Fatalmente irritante.

Hoje acordei com vontade de quebrar um paradigma!
O dicionário é o melhor amigo do homem, e não o cachorro, como se pensava no século passado. Ao contrário do amigo canino, que só come, dorme, caga e trepa na nossa perna, o amansa-burro não só reconforta energúmenos como previne os meus ouvidos de captarem frases como 'eu vou quebrar um paradigma', que eu tive o desprazer de ouvir mais de duas vezes nos últimos dois meses. Normalmente essa pérola é seguida por uma espécie de revelação bombástica por parte do nosso amigo quebrador de paradigmas, que, mal sabe ele, deveria estar recebendo um Prêmio Nobel ou algo que o valha, e não simplesmente destruíndo paradigmas a torto e a direito em uma roda de amigos como um reles mortal não-quebrador de paradigmas. Irrisoriamente irritante.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Alô, Panvel? Vai tomar no c*!

Nunca falo sério aqui ou em qualquer outro lugar. Mas hoje o assunto é seriíssimo. Sem rodeios, vamos ao que interessa: a Panvel está devorando o espaço do Saúde no Copo na frente do Parcão. O Frankenstein das farmácias gaúchas quer transformar o local em estacionamento para o seu mais novo templo medicamentoso na esquina da 24 de Outubro e, para isso, um dos pontos de encontro mais simpáticos da cidade - que vende o melhor smoothie de Porto Alegre, diga-se de passagem - deve ceder o seu lugar.
O motivo? 'Saúde é com a gente'. Peraí, estão querendo me dizer que farmácia vende saúde? Farmácia vende é doença. Ou vocês já viram algum dono de farmácia torcendo para que as pessoas sejam mais saudáveis e longevas, sem que necessitem correr pra Panvel mais próxima (dica: em todas as esquinas do Rio Grande do Sul) toda vez que o estoque de Neosaldina chega ao fim? Não, senhor, senhor. É o mesmo que dizer que o negócio da indústria farmacêutica é a saúde, ou que a missão da Petrobrás é estar no meio ambiente sem ser notada. Eu pessoalmente creio no karma corporativo. Aqui se faz, aqui se paga. No momento em que uma empresa de grande porte perde o foco no negócio e se vê enredada nos tentáculos do capitalismo selvagem, alastrando-se à la Wal-Mart e Starbucks feito a peste negra, coisas ruins acontecem. Não imediatamente. Mas algum dia acontecem. Ou pelo menos eu espero que aconteçam.
Fechar o meu Saúde no Copo pra colocar carro em cima da calçada e aumentar ainda mais a abrangência e o lucro dessa merda de farmácia não é coisa que se faça. Isso não pode ficar assim. Peço que, por favor, espalhem essa notícia para o maior número de pessoas possível, porque Parcão sem Saúde no Copo (e eu me refiro ao ponto na esquina da 24, não lá onde vocês mantêm a Panvel Manipulação, viu sua cambada de filhos da puta?!) não é Parcão. Vida longa ao Blueberry 720ml!

sábado, 17 de maio de 2008

Eu tenho medo!

Gente, eu não tenho nem palavras para comentar esse tipo de coisa. Só quero salientar que esse anúncio é real e saiu na Zero Hora do dia 14 de maio de 2008, que ficará marcado para sempre na minha memória como o dia em que eu perdi total fé na humanidade. Não tem Photoshop, pessoal. É isso mesmo que vocês estão vendo! Uma foto da Regina Duarte rezando com olhar psicótico e sorriso de pastor evangélico acompanhada de uma citação direta e inverídica que, se chegasse aos ouvidos dos assessores de imprensa da nossa amiga, renderia um processo de sete dígitos. Protejam seus filhos!

terça-feira, 13 de maio de 2008

A Globo matou a Isabella

Isabella Nardoni voou pela janela há pouco mais de um mês. E há pouco mais de um mês as principais emissoras deste país têm vivido raro momento de euforia pós-desgraceira envolvendo criancinha mal-amada. Não se sabe se foi o pai quem estrangulou, se foi a madrasta quem arremessou pela janela, se foi a mãe quem agiu como mandante, se foi o avô quem comprou tintura pro cabelo para usar as luvas na adulteração da cena do crime, se foi a avó que entrou escondida e tacou a neta insuportavelmente sorridente janela afora... O que se sabe é que os Nardoni/Jatobá/Isabella-mãe estão fazendo a alegria dos medidores de Ibope da toda-poderosa Rede Globo ao, semanalmente, encenarem entrevistas para o Fantástico e outras atrações que garantem diariamente o 'quê' de qualidade da Globo.
A nova lógica do gerenciamento midiático de tragédias nacionais evidencia-se da seguinte forma: 1) menininha indefesa é lançada pela janela; 2) a Globo diz que os culpados são o pai e a madrasta da pobre infeliz; 3) o casal é preso, depois solto, e recebe incentivo financeiro para se expôr ao ridículo em rede nacional; 4) o casal é preso novamente em um espetáculo televisivo envolvendo paparazzi e uso indevido de algemas; 5) a mãe da falecida recebe proposta tentadora para segurar uma girafa de pelúcia enquanto é entrevistada pela Patrícia 'vendida' Poeta; 6) Muito satisfeita com as sobras, Luciana Gimenez entrevista o pai do suposto assassino.
Esgotando-se a seqüência dos fatos, podemos agora vislumbrar alguns dos possíveis desdobramentos do caso: 'Ana Carolina aceita ensaio para posar nua'; 'Exclusivo! Record mantém contato com o espírito de Isabella Nardoni, com auxílio da mãe Ilaiê de Oxum'; 'Boninho admite ter atirado a menina Isabella pela janela e é preso'; 'Alexandre Nardoni e Ana Jatobá mostram tudo que aprenderam na cadeia no mais recente pornô da Brasileirinhas'. Enfim, o de sempre...

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A Associação Brasileira de Agências de Publicidade tem o orgulho de apresentar...

...O pior anúncio de cerveja de toda a história dos anúncios de cerveja (considerando-se, hipoteticamente, que é possível escolher apenas um), escrito (provavelmente) por um funcionário da Ambev diagnosticado com morte cerebral. Eu não estou brincando: esse anúncio foi e continua sendo veiculado em jornais e revistas de qualidade duvidosa do Brasil a pedido da ABAP. É sério. Muito sério. Leiam com atenção (mas não muita):

Querem proibir a publicidade de cervejas no Brasil.

É o mesmo que proibirem a fabricação de abridores de garrafas no Brasil.

Nem a propaganda, nem o abridor são a motivação para irresponsáveis dirigirem embriagados.

A propaganda ou o abridor não são os culpados pela venda criminosa de bebidas alcoólicas a menores.

Abridores e a propaganda não são incentivadores dos covardes que praticam a violência doméstica.

Essas são questões que só a educação, a democratização da informação e o rigor no cumprimento das leis podem resolver.

Por isso, proibir a publicidade de cervejas não vai mudar em nada esse quadro.

A não ser tirar de você o direito de gostar ou não gostar desta ou daquela publicidade.

De se informar e de formar a sua opinião.

Um direito tão sagrado, quanto o que você tem de comprar ou não um abridor de garrafas.

E decidir o que fazer com ele.

E depois de regurgitar violentamente, leiam isso.

Após ter assistido a menininhas sendo jogadas janela afora, ter visto a terra tremer em São Paulo, ter visto um padreco alçar vôo utilizando balões de festa infantil e ter sentido muita pena do Ronaldo Gordo por ele ter traçado três travestis barangas, tenho motivos suficientes para crer que estamos nos aproximando do apocalipse, meus amigos. Aquele abraço!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Coisas que eu aprendi assistindo à entrevista com Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá

- O advérbio 'sempre' pode também ser utilizado no plural, quando precedido de 'nós' ou 'eles', como no caso de 'nós sempres fomos uma família feliz' e 'elas sempres se deram bem como se fossem mãe e filha'. Utiliza-se também a forma coloquial pluralizada 'nozes sempres', mas apenas em casos muito específicos, como, por exemplo, uma entrevista para o Fantástico.

- Nota mental: se algum dia a minha amante estrangular a minha filha e eu for obrigado a jogar a criança pela janela, é sempre bom lembrar de tirar as Havaianas antes de subir na cama e cortar a rede de proteção.

- 'As pessoas ficavam jogando areia em cima dela' foi a descrição mais tocante e singela de um enterro de que se tem notícia em tempos recentes.

- Em seu novo apartamento, Alexandre e Ana Carolina ainda não haviam tido a oportunidade de se pegar no tapa de forma selvagem, coisa que ocorria com frequência no apartamento antigo. Entretanto, peritos afirmam que uma possível briga inaugural e o arremeso de Isabella podem estar relacionados de alguma forma.

- Se a Suzane Von Richthofen fosse filha do Alexandre Nardoni e da Ana Carolina Jatobá, quem iria sobrar pra dar entrevista pro Fantástico?

- Não entendi a parte em que o Alexandre prometeu sobre o caixão da filha que iria encontrar o desgraçado que a colocou dentro do ataúde e o fazer pagar por isso. Sem amor pela vida, total.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Sinopses reais da Sessão da Tarde (1)

Enchente: Quem Salvará Nossos Filhos?
Um grupo de jovens evangélicos estão num acampamento, raio de luz. Uma poderosa correnteza faz o grupo se separar. Muitos não tem forças para tanto!!! Enquanto as crianças tentam sobreviver, as famílias vivem o desespero da dor!!!

Obs: SIC!!!