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sexta-feira, 4 de abril de 2008

Deixa de ser dengosa, Fátima Bernardes!

Enquanto o casal de jornalistas mais frígido deste lado do Atlântico segue com a sua série de reportagens sobre dengue envolvendo trilha sonora de filme de terror B e montagens sensacionalistas sobre as milhares de crianças inocentes que estão perdendo suas vidas por causa do maldito do aedes aegypti, o povo continua levantando questões importantes e espalhando informações de validade científica nula pelo país afora. Muitas dessas dúvidas nunca serão esclarecidas, pois Fátima e William estão choramingando atrás da bancada ao invés de tratar o tema com a seriedade e profissionalismo que ele exige. Pensando nisso, eu compilei abaixo algumas frases que eu ouvi por essas semanas, a fim de ilustrar o alto nível de desinformação perpetuado pelo casal Bonner e cia.:

"O mosquito da dengue só pica até à altura do joelho".
"Cuidado pra não tocar na água parada senão tu vai pegar dengue!!111".
"Tá com surto de dengue em Porto Alegre, minha gente!!!".
"O Luciano Huck pegou dengue da Grazi Massafera e foi se tratar numa ilha particular em Angra dos Reis. Deu no SuperPop!".
"Se eu usar calça o dia inteiro, dedetizar meus filhos com Off Kids! e comprar uma raquete elétrica, a minha família está livre da dengue?"
"Tem mosquito normal por aí se fazendo passar por aedes aegypti só pra confundir o povo. Não pode".
"Eu bebi o filhote do mosquito da dengue por engano. Quais são as chances de eu contrair a doença?"
"O César Maia tava falando sério naquela entrevista pro Jornal Nacional ou ele contraiu dengue e um dos sintomas é a regurgitação verbal?"

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

E a capital do Brasil é...

...Rio de Janeiro, seus idiotas. Pelo menos foi o que disse um correspondente do The Guardian - possivelmente uma das várias pessoas que assistiram Eu ainda sei o que vocês fizeram no verão passado só até a metade - ao comentar o filme Tropa de Elite. O mais absurdo é que a notícia que subverte a história do nosso país continua no site até o momento em que eu escrevo essa asneira toda. Pelo amor de Deus. Vamos acordar para a realidade. Claro que ninguém é obrigado a saber a capital da Eritréia ou das Ilhas Salomão, mas o mínimo que a gente espera de um jornalista que trabalha para um veículo sério é que ele saiba que a capital dos EUA não é Nova York, que a capital da Austrália não é Sidney e que a Brandy morreu no final do filme. Mentira, ela não morreu, não. Mas ficou meio manca.
...
Edit: Finalmente, algum infeliz se deu conta do erro e corrigiu o texto original. Ao final da reportagem, lê-se agora: This article was amended on Wednesday September 26 2007. The article above originally referred to Rio de Janiero (rather than Brasilia) as the capital of Brazil - the error was introduced during the editing process. This has been corrected.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

É fantastico! Plim.

Quando se pensava que o Fantástico havia atingido o ápice da escala do mau gosto dominical, eis que surgem, de repente, na tela da minha televisão, Zeca Camargo e Glória Maria, eu com fones de ouvido, prestando atenção na seriedade que ambos estampavam nos seus medonhos semblantes. De imediato afastei os fones, aumentei o som da TV e me preparei para o pior. Entra Fátima Bernardes, chapinha japonesa no cabelo, terninho enxuto impecavelmente liso, expressão de pesar no rosto. Começo a sentir cheiro de menininho arrastado por três bairros no Rio de Janeiro e já sinto repulsa. Meus temores se confirmam, e a querida Fátima, ela própria tendo expelido trigêmeos há um punhado de anos, convida os pais do menino a sentarem-se no sofá. O que segue são mais de cinco minutos do mais puro e repugnante jornalismo sádico, que mais pareceram 20 minutos ou meia hora, enquanto assistíamos [eu e a população brasileira] à Sra. Bonner iniciar a entrevista com aquela perguntinha básica: Você consegue lembrar exatamente como tudo ocorreu? Conte os detalhes para nós. Criancinha arrastada pra cá, criancinha arrastada pra lá, e aquilo tudo acaba nos levando ao clímax desta reportagem exclusiva: uma espécie de ‘violência no Brasil para leigos’ em menos de 1 minuto. Cruel.
As vezes eu penso em mandar estuprar a mãe de alguns repórteres, ir atrás com uma câmera e registrar tudo em vídeo, depois passar as imagens na primeira reportagem do Jornal Nacional, pra ver se é divertido estar do outro lado. Ou então mandar matar o filho deles, capturar as imagens do momento em que morreu, do velório e do enterro e fazer um compacto a ser anunciado com pesar pela Glória e pelo Zequinha nos primeiros minutos do Fantástico, só pra ver se eles gostam. E não me venham com esse papinho de apelo aos políticos ou qualquer outro tipo de baboseira da grossa. Não adiantou com a menina que morreu no primeiro dia em que andou de metrô sozinha, não adiantou com a família que morreu carbonizada dentro do próprio carro, também não adiantou quando o casal Bonner teve sua casa invadida por bandidos, e não vai adiantar enquanto a imprensa brasileira continuar enxergando a dor dos outros como um par de pontos a mais no IBOPE e, pior de tudo, saindo por cima como a heroína da história toda.