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sábado, 16 de fevereiro de 2008

Tropa de Elite recebe o Urso de Ouro

Na condição de único brasileiro vivo que não assistiu Tropa de Elite, só me resta dizer: parabéns, José Padilha. Pelo menos até eu assistir o filme.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Sexualidade precoce: a gente vê por aqui.

"Mamãe, por que é que aquela moça tá pelada roçando a genitália em um poste de luz cercada por um grupo de homens tarados em um quarto escuro enquanto o Antônio Fagundes fica olhando pela janelinha?". Foi a pergunta que muitas crianças lesadas fizeram para os pais na semana retrasada, ao se referirem à cena da novela Duas Caras em que a personagem de Flávia Alessandra - uma dona-de-casa mais do que desesperada por sexo casual - mostra todos os seus dotes físicos em uma performance de deixar muito marmanjo visivelmente excitado, causando conflitos matrimoniais graves do Oiapoque ao Chuí.
"Absurdo! Ela estava usando uma lantejoula prateada em cada mamilo e um fio-dental cor-de-pele tamanho PP, suficientes para que não se pudesse considerar aquilo como nudez imprópria para o horário e para a classificação indicativa de 12 anos ou mais!", afirmaram os diretores, produtores e advogados da Rede Globo. Afinal, nove horas da noite já é hora de criança estar na cama, e ninguém tem culpa se o Brasil abrange quatro fusos horários diferentes! Além disso, a audiência de Duas Caras está quase dando traço, e agora que já inventaram até ameaça de morte para o Aguinaldo Silva, só mesmo apelando pra Flávia Alessandra pelada.
A teledramaturgia brasileira já vem num crescente de pornografia softcore há algum tempo - ao contrário do cinema brasileiro, que trilhou o caminho inverso: da putaria desenfreada para o recatamento - e a tendência é que, já na próxima novela das oito, estejamos presenciando a primeira cena de sexo explícito da história da TV aberta no país. Só não vão me escalar a Cláudia Raio para o papel, porque daí a coisa já tende mais para a zoofilia homoerótica. Nada bonito de se ver.

domingo, 15 de julho de 2007

Minhas férias no cinema (Parte 1 de 1)

Pai e filho (Aleksandr Sokurov, 2003):
Sabe aquele tipo de sessão em que tu entra e pensa: putz, vão cancelar essa merda por falta de público? Era destas. Após uma série angustiante de problemas com o áudio e um inusitado telefonema atendido, para minha surpresa, durante a exibição, deixei a sala somente meio satisfeito com este filme do Sokurov. A sinopse do Arteplex, e metade da população mundial, acusa um certo grau de homoerotismo na relação entre o tal pai e o tal filho, mas, sinceramente, eu acho que eles não entenderam nada do filme. O começo sugere uma putaria generalizada, mas, quem conseguiu ficar até o fim, e possui os dois hemisférios cerebrais interligados, vai entender o porquê de tão dissonante cena. Recomendo pra quem tiver bastante paciência cinematográfica e muito tempo livre.
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Baixio das bestas (Cláudio Assis, 2007):
Uma homenagem ao cinema pornô disfarçada de reivindicação dos direitos da mulher na sociedade atual. Tipo, putaria total, entende? Não é tão ruim quanto alguns críticos possam tentar te fazer crer, nem tão bom quanto o diretor pretendia que fosse. O que eu entendi do filme? A vida no sertão nordestino é uma prostituição, em todos os sentidos e níveis de interpretação; o Caio Blat adora esfregar o tico na frente das câmeras; enquanto o avô da guria ("ela é filha do avô?") fica bolinando ela, e a plantação de cana pega fogo, o resto é tudo carnaval; homenagens sutis ao cinema, do tipo 'inserir um trecho explícito de Oh! Rebuceteio no meio do filme', ou a cena em que o Matheus Nachtergaele tira a roupa e sai gritando "pega a manteiga que hoje eu quero comer cu", me trouxeram lágrimas aos olhos; a mulher como objeto, o que fica evidente nas três cenas de estupro, onde o diretor faz questão de mostrar as mulheres violentadas fragilizadas e inertes perante o violentador. Teve gente que saiu da sala e nunca mais voltou...
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Ratatouille (Brad Bird, 2007):
Quem gosta de Shrek que me perdoe, mas a Pixar não tem concorrentes no mundo da animação digital. Simplesmente não tem, e não adianta insistir. Com eles não tem essa de "até que os trouxas parem de achar graça na cara de tacho desse gato de botas e das piadas gastas desse burro imbecil, a gente continua lançando um Shrek por ano, combinado?". A Pixar tem estilo e, o mais importante, histórias para contar. Mas o que mais me deixa orgulhoso é que eles não precisam colocar uma piada infame em cada cena pra agradar o público: tomam o tempo que for necessário para construir seus personagens e transitar confortavelmente pelo ir e vir da história. Ratatouille é muito especial pra mim porque trata de duas de minhas coisas favoritas: comida e ratos. Colocar como protagonista um rato que cozinha, então, é covardia. Pra quem quiser aprender como se faz uma animação de qualidade, recomendo. Para os que se divertiram assistindo "Deu a louca na Chapeuzinho Vermelho", recomendo distância.
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Paris, te amo (vários, 2006):
A idéia de juntar uma dúzia de diretores de países diferentes para falar sobre amor em Paris pode parecer tentadora, mas quando eu saí da sala do cinema ontem, só conseguia pensar duas coisas: "aquela era a Feist cantando durante os créditos?" e "esse filme foi realmente necessário?". Cada diretor ganhou uns cinco minutos para mostrar a sua versão de uma história de amor em Paris, o que significa que alguns segmentos são interessantes, outros são vergonhosos e outros ainda são terríveis. Com tantos finais felizes/infelizes juntos, parece que o filme tem doze horas de duração, e não meras duas horas. Quem quiser parecer cool durante uma conversa informal, que assista. Mas no fundo eu sei que ninguém gostou dessa aberração fílmica. Cá pra nós, Elijah Wood fazendo cara de Frodo Bolseiro (isso mesmo, aquela cara de quem tá levando por trás) enquanto é penetrado por uma vampira no meio de um filme até aquele momento normal, nem de graça. E o infeliz que escolheu deixar a história da gorda carteira pro final deveria ser demitido do cargo de editor ou de ser humano como um todo.