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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Os perigos da televisão digital

Lembram quando a televisão deixou de ser em preto e branco? Pois é, nem eu. Mas estão dizendo por aí que a transição entre o padrão standard e o digital é a maior evolução na história da transmissão televisiva desde o advento da imagem a cores. Tendo aderido à NET Digital HD Max - isso mesmo, aquela da propaganda onde o instalador da NET tem que ser arrastado pra fora da residência do cliente - há mais ou menos um mês, eu gostaria de compartilhar com vocês algumas impressões sobre o novo velho xodó de um entre cada dois early adopters (s. m. Anormais que necessitam comprar bugigangas inúteis antes de todo o resto da população; pessoas com problemas emocionais que exorcizam suas frustrações no ato de consumir em demasia; delinquentes mentais). Afinal de contas, a HDTV vai mudar a sua vida?

A resposta curta e grossa é: não, não vai. A resposta longa e dura é: entretanto, as imagens em alta definição mudam a forma como a pessoa assiste à televisão, tanto positiva quanto negativamente. O impacto é tão grande no começo - e olha que a NET comprime as imagens em 2003023 trilhões de vezes - que o primeiro sintoma observado é ficar assistindo ao Programa Amaury Jr. até altas horas da matina contando quantos pontos de lifting facial o nosso querido socialite levou até hoje. Ou perder a tarde em frente à TV hipnotizado pela beleza profunda das olheiras da Sônia Abrão. É tudo tão bonito em HD. Dá até vontade de beijar o Bóris Casoy na boca.
A NET oferece - até o momento de escritura deste post - apenas três canais em alta definição: Globosat HD, RedeTV HD e Band HD. O primeiro deles é um mix de conteúdos de canais Globosat (surpresa!) em alta definição (dupla surpresa!), como desfiles de moda sob o selo GNT HD, shows de música sob o Multishow HD, e por aí vai. As reprises são constantes, mas sempre tem conteúdo novo (na medida do possível). O grande trunfo do novo decodificador é a função DVR (digital video recorder), que permite ao usuário agendar a gravação de programas de forma personalizada, em um HDD de 160Gb. É como um TiVo de pobre, lançado dez anos depois do original para a tupiniquinzada sossegar o facho. Mas, quer saber? Tá valendo. Pelo menos assim eu não perco um capítulo da novela das oito e ainda posso pausar a programação ao vivo quando quiser, pra ir no banheiro, dar uma volta na quadra ou simplesmente me exibir.

No geral, estou bastante satisfeito com o produto. Claro que eu preferia que a NET não fizesse um trabalho porco de compressão da imagem, e que outros canais em HD fossem lançados ainda este mês, mas a vida é feita de altos e baixos. A pergunta que não quer calar é: eu vou poder assistir ao final de A Favorita em alta definição ou não? É só o que eu peço!

sábado, 27 de setembro de 2008

'Mãe, tem um feijão no meu garfo'

Estamos no século XXI. Muita coisa mudou no mundo após a queda do Muro de Berlim. Mais ainda após a implosão das Torres Gêmeas. As pessoas foram espreguiçadas pela tecnologia, e agora estamos à mercê de telefones celulares do tamanho de supositórios e vivemos a máfia do fone-de-ouvido branco. A Terra ficou mais quente. Uns dizem que é por causa da quantidade de vacas peidando por aí, outros dizem que é tudo culpa dos Escrotos Unidos. Há ainda os que não acham que a Terra esquentou, e os que acreditam piamente na vídeo-montagem tosca da chegada do homem à Lua e no Papai Noel da Coca-Cola.
Entretanto, uma coisa sobrevive misteriosamente à entrada e à saída dos séculos: a propaganda enganosa. É de se pensar que, em pleno 2008, não pudesse ser considerado normal eu sentar no sofá e assistir a um comercial onde uma atriz - se fazendo passar por uma publicitária descolada cheia de briefings e cases e papers - é entrevistada por outra atriz - que faz as vezes de entrevistadora profissional -, em um bate-papo ultra informal sobre como a lavadora Brastemp é uma mão na roda após jantares com amigos e bacanais de toda a sorte.
Rapaz prendado que sou, senti verdadeira angústia quando as duas discutiam sobre o 'mito de que lava-louças não lava panelas direito'. Se eu contasse as vezes em que fui tirar os talheres da máquina e me deparei com uma refeição completa dentro de cada cesto, a minha mente ia explodir. Isso sem falar no avançado sistema de secagem, que te faz desejar a morte e te obriga a apelar pro pano de prato. Também, o que se pode esperar de uma empresa que vende assinatura de purificador de água (é sério), lança uma espécie de kinder ovo que lava calcinhas e deixa de fabricar fogões com acendimento automático de uma hora pra outra (minha bisavó manda lembranças do além-túmulo).
No próximo episódio: só a Philips tem a tecnologia 3P (Philips Pixel Plus, dã)? Uau. Fique ligado.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

E viva o hedonismo!

O mundo está acabando. E não, eu não sou descendente direto do Nostradamus. As evidências estão aí pra todo mundo ver. Pra cada quinze mequetrefes revirando uma lixeira em busca de restos de alimentos tem um Michael Phelps se lambuzando de McDonald's e Coca-Cola pra tentar bater mais um recorde mundial medíocre. Enquanto meia dondoca chafurda em um banho de chocolate e faz a assepsia de sua genitália com vinho tinto, vinte e cinco crianças observam suas panças incharem devido à desnutrição em algum lugar da África. Eis a crise dos alimenos para leigos.
A indústria do bem-estar? Vai muito bem, obrigado. O mercado do luxo? É só perguntar pro Amaury Jr. Embora seja difícil de processar esta história toda de mundo corporativo na minha mente publicitária envergonhada, o máximo que posso fazer é tentar me manter são em meio a essa selva de interesses e dinheiro vivo que nos está levando à perdição, no melhor estilo Frodo Bolseiro - sem a putaria toda com o Sam e com os outros anões homossexuais. É gente defendendo o 'direito' de fumar em lugar fechado - *cof* crime doloso *cof* -, gente aguardando dois anos na fila para comprar uma Ferrari só pra dirigir a 240km/h dentro da cidade e bater num poste, cientistas torrando bilhões pra simular o Big Bang em miniatura...
O mundo está acabando, de fato. E já que chegamos tão baixo, e as chances de uma reviravolta no sistema são virtualmente nulas, acho que o melhor a se fazer é relaxar e gozar do mais puro descaso com o próximo, em prol do prazer de cada um de nós. Vamos jogar latinha de refrigerante pela janela do carro, vamos rir de propaganda de cerveja, injetar gordura vegetal hidrogenada direto na veia! Cansou de cuidar dos filhos? Taca pela janela de uma vez. Velhinha atravessou no sinal verde? Strike nela.
Esqueçam o aquecimento global, alimentos orgânicos, veganismo, fair trade. Tudo balela. Vamos comer ovo de galinha presa em cativeiro, beber leite com hormônio de crescimento bovino, ajudar a manter a Souza Cruz no lucro. Aproveitem bem o momento. Mas aproveitem rápido, porque o mundo está acabando.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Olimpíadas vermelhas

"É triste ver os Jogos Olímpicos sendo ofuscados pela Coca-Cola e pelo McDonald's", desabafou a guia turística durante um city tour em Atenas, no começo do ano. Passávamos pelo estádio berço das Olimpíadas modernas, e Zoi ('vida' em grego), uma guia radicalmente anti-corporativista dona de uma simpática, porém gélida personalidade para grego ver, imiscuía criticismos às luxuosas lojas atenenses em meio a informações históricas sobre o Parthenon como quem lixa as unhas enquanto canta a macarena.
O que diria Zoi, então, do iminente Beijing 2008? Em meio a esforços de reconstrução devido a terremotos recentes, uma constante tensão política entre Tibete e o governo do país, tentativas artificiais de amenização dos efeitos nocivos do crescimento econômico chinês no ambiente, protestos de atletas, além de uma pressão cada vez maior exercida sobre a população para que nenhum desses detalhes incômodos atrapalhe o andamento de um megaevento como os Jogos Olímpicos, a China tem em mãos um enorme elefante branco prestes a explodir e espalhar matéria fecal por cima das milenares muralhas e da Praça da Paz Celestial.

Tudo, obviamente, mascarado por ostensivas campanhas envolvendo bonequinhos da péssima animação Kung-Fu Panda no McLanche Feliz (que na China se chama McMao Lexotan 100mg) e inserções massacrantes da Happiness Factory da Coca-Cola nos intervalos de todas as partidas de todas as modalidades esportivas. Até a Pepsi mudou a cor da embalagem, do azul para o vermelho, em uma jogada de marketing que deve ter deixado os executivos da The Coca-Cola Company sem saber o que os atingiu. Só não vale publicidade de cigarro e de estimulantes sexuais, até porque a última coisa que eles precisam por lá é mais um lote de criancinhas abandonadas dentro de quartos escuros soltando fumaça pelas ventas.
O Beijing 2008 já nasceu fadado à polêmica. Promete entrar para os anais da história como uma das edições mais controversas dos Jogos Olímpicos - um evento unificador dos povos, simulacro da paz mundial, cujo logotipo simboliza a união dos cinco continentes que, apesar da parafernália tecnológica e da esculhembação cultural pós-moderna, estão ficando cada vez mais distantes entre si. O desfecho é sempre o mesmo: os EUA levam todas as medalhas de ouro, as russas esculacham geral na ginástica, a Daiane dos Santos torce o joelho, alguma machona da natação toma bomba e outra leva uma sova do pai em rede nacional.
Mas o que diria Zoi de tudo isso?

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Trauma de infância (com moral no final)

Quando eu era pequeno, o meu avô não deixava a gente puxar a descarga depois da meia-noite. Não importava o tamanho do estrago feito dentro da privada, o sono dos vizinhos não podia ser perturbado sob circunstância alguma. Ah, e nós não podíamos assistir à televisão com som também, senão ele podia acordar a qualquer momento de mais um monólogo noturno e começar a berrar palavrões muito adequados para crianças lá da sala onde ele dormia com a minha avó. Isso quando não partia pra agressão física. Pela manhã, os dejetos de uma noite inteira de silêncio no quarto de banho se amontoavam até as bordas do vaso sanitário, e, se eu não me engano, ele mesmo ia lá, orgulhoso, e mandava-os embora.

Eu tinha lá os meus 10, 12 anos e não percebia naquela época que o meu avô era uma espécie de precursor do movimento ambientalista; que, por trás de todo aquele mijo e eventuais fezes acumulados, encontrava-se um honrado guardião dos recursos naturais do nosso planeta, disfarçado de velho rabugento e brocha com espírito de porco preto. Outro dia mesmo eu assistia ao programa ‘Um Lar de Desperdício’, comandado pela irmã mais jeitosinha da Free Willy (ver foto abaixo), no GNT, e ela falava sobre como na casa dela a regra era a seguinte: se estiver amarelo, deixe assim; se estiver marrom, mande embora. Quer dizer, meu avô estava anos-luz à frente do seu tempo, já que não importava a cor da bosta toda, a gente tinha que deixar como estava, economizando milhares de litros de água por ano e, o mais gratificante de tudo: sem acordar a vizinhança.


Traumas infantis à parte, sempre que falta água aqui no bairro hoje em dia eu lembro daquela época cheia de surpresas, umas mais amarelas, outras com tendências amarronzadas, e penso: as pessoas não dão valor nenhum à água. Na última vez que o abastecimento foi suspenso por aqui, eu fui obrigado a encher a caixa do vaso pra mandar embora algo de que eu não me orgulho muito, e fiquei surpreso ao verificar a quantidade de água que vai embora a cada vez que eu aperto aquele maldito botão. Foi chocante demais para uma pessoa que não demora mais do que cinco minutos no banho, que escova os dentes assistindo televisão bem longe da torneira (fechada) e que fulmina empregadas domésticas e zeladores que usam mangueira pra varrer a calçada.

Que o mundo está acabando não é novidade nenhuma pra ninguém, além de ser um grande, grosso e doloroso clichê do nosso tempo. Mas as pessoas foram cegadas a tal ponto pelo capitalismo selvagem (clichê número dois) que chegou a hora da natureza se virar contra os humanos. Pensem em algo como o filme ‘Fim dos Tempos’, só que com diálogos convincentes e atuações boas. E sem árvores vingativas. E sem o Mark Wahlberg. Pode soar meio Sharon Stone bêbada em Cannes, mas é o karma, pessoal. Estamos entrando na era do terremoto como contenção de despesas, do tsunami como eliminação de excesso de contingente, e por aí vai. É triste, mas é verdade. É muito carro, é muita gente, é muito lixo. Não tem mais espaço. Simplesmente não tem onde caber 6 bilhões, 8 bilhões de anormais, cada uma com um carro. Graças à tecnologia e à evolução da espécie, a tendência é que as pessoas comecem a viver até os 150 anos daqui a muito pouco tempo, e eu não sei se quero estar aqui pra ver essa putaria geriátrica tomar forma.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Alô, Panvel? Vai tomar no c*!

Nunca falo sério aqui ou em qualquer outro lugar. Mas hoje o assunto é seriíssimo. Sem rodeios, vamos ao que interessa: a Panvel está devorando o espaço do Saúde no Copo na frente do Parcão. O Frankenstein das farmácias gaúchas quer transformar o local em estacionamento para o seu mais novo templo medicamentoso na esquina da 24 de Outubro e, para isso, um dos pontos de encontro mais simpáticos da cidade - que vende o melhor smoothie de Porto Alegre, diga-se de passagem - deve ceder o seu lugar.
O motivo? 'Saúde é com a gente'. Peraí, estão querendo me dizer que farmácia vende saúde? Farmácia vende é doença. Ou vocês já viram algum dono de farmácia torcendo para que as pessoas sejam mais saudáveis e longevas, sem que necessitem correr pra Panvel mais próxima (dica: em todas as esquinas do Rio Grande do Sul) toda vez que o estoque de Neosaldina chega ao fim? Não, senhor, senhor. É o mesmo que dizer que o negócio da indústria farmacêutica é a saúde, ou que a missão da Petrobrás é estar no meio ambiente sem ser notada. Eu pessoalmente creio no karma corporativo. Aqui se faz, aqui se paga. No momento em que uma empresa de grande porte perde o foco no negócio e se vê enredada nos tentáculos do capitalismo selvagem, alastrando-se à la Wal-Mart e Starbucks feito a peste negra, coisas ruins acontecem. Não imediatamente. Mas algum dia acontecem. Ou pelo menos eu espero que aconteçam.
Fechar o meu Saúde no Copo pra colocar carro em cima da calçada e aumentar ainda mais a abrangência e o lucro dessa merda de farmácia não é coisa que se faça. Isso não pode ficar assim. Peço que, por favor, espalhem essa notícia para o maior número de pessoas possível, porque Parcão sem Saúde no Copo (e eu me refiro ao ponto na esquina da 24, não lá onde vocês mantêm a Panvel Manipulação, viu sua cambada de filhos da puta?!) não é Parcão. Vida longa ao Blueberry 720ml!

sábado, 17 de maio de 2008

Eu tenho medo!

Gente, eu não tenho nem palavras para comentar esse tipo de coisa. Só quero salientar que esse anúncio é real e saiu na Zero Hora do dia 14 de maio de 2008, que ficará marcado para sempre na minha memória como o dia em que eu perdi total fé na humanidade. Não tem Photoshop, pessoal. É isso mesmo que vocês estão vendo! Uma foto da Regina Duarte rezando com olhar psicótico e sorriso de pastor evangélico acompanhada de uma citação direta e inverídica que, se chegasse aos ouvidos dos assessores de imprensa da nossa amiga, renderia um processo de sete dígitos. Protejam seus filhos!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A Associação Brasileira de Agências de Publicidade tem o orgulho de apresentar...

...O pior anúncio de cerveja de toda a história dos anúncios de cerveja (considerando-se, hipoteticamente, que é possível escolher apenas um), escrito (provavelmente) por um funcionário da Ambev diagnosticado com morte cerebral. Eu não estou brincando: esse anúncio foi e continua sendo veiculado em jornais e revistas de qualidade duvidosa do Brasil a pedido da ABAP. É sério. Muito sério. Leiam com atenção (mas não muita):

Querem proibir a publicidade de cervejas no Brasil.

É o mesmo que proibirem a fabricação de abridores de garrafas no Brasil.

Nem a propaganda, nem o abridor são a motivação para irresponsáveis dirigirem embriagados.

A propaganda ou o abridor não são os culpados pela venda criminosa de bebidas alcoólicas a menores.

Abridores e a propaganda não são incentivadores dos covardes que praticam a violência doméstica.

Essas são questões que só a educação, a democratização da informação e o rigor no cumprimento das leis podem resolver.

Por isso, proibir a publicidade de cervejas não vai mudar em nada esse quadro.

A não ser tirar de você o direito de gostar ou não gostar desta ou daquela publicidade.

De se informar e de formar a sua opinião.

Um direito tão sagrado, quanto o que você tem de comprar ou não um abridor de garrafas.

E decidir o que fazer com ele.

E depois de regurgitar violentamente, leiam isso.

Após ter assistido a menininhas sendo jogadas janela afora, ter visto a terra tremer em São Paulo, ter visto um padreco alçar vôo utilizando balões de festa infantil e ter sentido muita pena do Ronaldo Gordo por ele ter traçado três travestis barangas, tenho motivos suficientes para crer que estamos nos aproximando do apocalipse, meus amigos. Aquele abraço!

terça-feira, 4 de março de 2008

Viva o lado Coca-Cola da puta que o pariu!

Quando eu entrei na faculdade, meus familiares e amigos diziam coisas como 'vê se tu faz alguma coisa pra poupar a gente de tanta propaganda ridícula' e 'esse curso tem tudo a ver contigo'. Agora que eu saí da faculdade, eu vejo que a publicidade não tem salvação e, o pior de tudo: as pessoas realmente gostam dela, o que me dá vontade de enfiar um canivete na orelha e extrair pelo ânus de tanta raiva. Mas, digressões à parte, alguns tipos de publicidade se destacam dos demais por serem tão arcaicos e intelectualmente ofensivos que eu fico me perguntando se alguma pesquisa de mercado mostrou que eles são, de fato, eficientes.
Encabeçando o top 3 da publicidade degradante temos o falso testemunho, do tipo 'o meu dentista só usa esse creme dental, é incrível, ele acaba com 12 tipos de perebas bucais que não existiam até o século passado, só que ele pediu pra não mostrarem o CRO dele no comercial, porque na verdade ele não existe e foi criado pelo redator dessa bosta de campanha que viajou no tempo diretamente da década de 40'. Ou pior ainda quando colocam a Malu Mader pra falar de beleza feminina e recomendar produtos de asseio vaginal e etc quando ela mesma vem travando uma batalha pessoal contra sua monstruosa monocelha que já dura mais de vinte anos.
Logo em seguida temos o nonsense publicitário por falta de criatividade, que se divide em inúmeras subcategorias, como o escatológico e o acompanhado de prostituição infantil. Nesta categoria enquadram-se o 'quero cagar na casa do Pedrinho e jogar Gleid em cima pra tirar o fedor miserável da minha própria merda', todas as campanhas de cerveja - que, impossibilitadas de se calcarem em vantagens e benefícios do produto, afundam cada vez mais na bosta lamacenta dos clichês estereotípicos do homem desprovido de cérebro e da mulher biscate de botequim - e coisas como pessoas escorregando em escadarias utilizando caiaques ou slogans muito bons para serem reconhecidos em sua própria época, como o do Guaraná Antártica, que é o que é, e o da Pepsi - que, muito inteligentemente, enterrou o dadadadada a sete palmos.
Em último lugar, mas não menos insuportáveis, encontram-se as campanhas fantásticas de mistificação enganosa do produto, como aquela que dá nome a esse post, por exemplo. Quer dizer que, dentro da máquina de Coca-Cola, habitam uma inifinidade de seres hermafroditas que produzem aquele líquido cancerígeno e perigosamente viciante em meio a orgias alienígenas e paradas de júbilo à garrafa mais famosa do planeta Terra? Será que, em algum lugar do mundo, um CEO está querendo esconder o fato de que os nossos filhos vão nascer com as orelhas grudadas nas costas e com o pênis cravado no meio da testa devido a ingestão dessa meleca preta gaseificada? Hm, interessante. E o tal do McDonald's, que agora está querendo se posicionar como concorrente direto da Substância Light?! Gerações de crianças cresceram com o 'dois hambúrgueres alface queijo molho especial cebola picles num pão com gergelim é big mac plim' na ponta da língua, e agora os caras vendem maçã criada em laboratório e suco de laranja com gominhos artificiais de plástico pra tentar encobrir o estrago, mostrando sempre em sua publicidade crianças pervertidas que dão em cima de adultos e terminam com cara de trouxa para a câmera.
Passamos por um momento triste na publicidade. Tão triste que faz o filme do Casseta e Planeta parecer divertido. Faz a Ana Maria Braga falando com o bonequinho do Carrefour parecer aceitável. Faz eu ter vontade de recomeçar a minha vida como fiel da Igreja Universal do Reino de Deus. É, o curso não tinha nada a ver comigo, afinal de contas.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Se eu abraçar uma árvore, posso cortar outras duas fora? Por favor!

Publicidade é realmente coisa mais linda de Deus. Os caras conseguem fazer até CO2 engarrafado parecer ecologicamente correto hoje em dia. É só perguntar pro imbecil que criou o comercial daquele carro cujo nome eu não faço questão de lembrar agora. Aquele comercial com uma redação que envergonha até o Paulo Coelho, onde o carro vai passando pela cidade, e a criação da agência tentou estabelecer semelhanças entre elementos urbanos e elementos da natureza. "Para mim, lombada é jacaré, grade é teia, janela é olho, mídia exterior é esterco", entre outras comparações que me deixam triste e me fazem trocar de canal. Como se a equação carro + natureza = felicidade suprema emocionasse alguém. E tem outra da Honda, que eu não vi inteira, mas que em algum momento um pica-pau forma o logotipo da empresa dando bicadas em uma árvore. Carro. Natureza. Tudo a ver. "Olha que bonitinho o pica-pau desenhando o símbolo da Honda", diz o coro das vovós noveleiras do meu Brasil. "Essa tal de Honda se preocupa com o meio ambiente, igualzinho àquele banco que a gente faz o símbolo com o dedo indicador e àquele supermercado que sempre faz comercial de Natal envolvendo criancinhas com histórias de desgraça acompanhadas por músicas da Adriana Calcanhoto". Só se for. Empresas que usam responsabilidade sócioambiental como estratégia de vendas se preocupam tanto com o meio ambiente quanto uma prostituta se preocupa em pegar herpes genital em um banheiro público. Ou seja: até que isso comece a influenciar diretamente no negócio delas. É essa a triste realidade que eu prometo combater uma vez formado *cof* em publicidade *cof*, publicitário por publicitário.

domingo, 20 de maio de 2007

xópin mau

"A sociedade que modela tudo o que a cerca construiu uma técnica especial para agir sobre o que dá sustentação a essas tarefas: o próprio território. O urbanismo é a tomada de posse do ambiente natural e humano pelo capitalismo que, ao desenvolver sua lógica de dominação absoluta, pode e deve agora refazer a totalidade do espaço como seu próprio cenário."
Guy Debord, A sociedade do espetáculo, p. 112
***
Porto Alegre vai ganhar mais um shopping center. É isso aí, gurizada. Ao que parece, nós não estamos satisfeitos com o Iguatemi, com o Praia de Belas, o Rua da Praia Shopping, todos os Bourbons, o Moinhos e a puta que pariu. O capitalismo diz que a gente deve trabalhar exaustivamente para ganhar cada vez mais dinheiro e comprar cada vez mais, para que tenhamos que trabalhar compulsivamente para pagar as despesas e fazer novas aquisições que exigem o acúmulo cada vez maior de onças-pintadas, mico-leões-dourados, araras e, de tempos em tempos, uma gorda garoupa. Então, conseqüentemente, Porto Alegre precisa de mais um shopping. A campanha publicitária do Barra Shopping Sul já estreou na televisão, com uma inserção básica no intervalo do Fantástico, e possui um minuto de duração (pelo menos foi o tempo percebido por este que vos escreve) onde podemos depreender algumas coisas interessantes: vai ser um puta dum shopping, o maior do Estado; aparentemente, a pessoa precisa ser bonita para freqüentá-lo; dentro desta monstruosidade será possível fazer refeições olhando para o Guaíba; o modesto empreendimento será localizado ao lado da vila que fica perto do Jockey Clube de Porto Alegre (ou sobre ela, o que for mais vantajoso); serão quase duzentas lojas, mais uma dúzia de megalojas-âncora (que diabos de aberração seria uma megaloja-âncora?); apesar de o comercial já estar sendo veiculado, o tal do Barra Shopping Sul só será inaugurado no final de 2008 (dois mil e oito). Dentre estas informações, a que me deixa com a pulga mais gorda atrás da orelha é a que se refere à localização do Shopping. Construir um templo do supérfluo colado a um conjunto habitacional de pessoas muito desafortunadas é, ao meu ver, a maior falta de humanismo e respeito ao próximo (se é que estes vagos conceitos morais existem nesses tempos de mentalidade corporativista) desde o escândalo envolvendo a Daslu. Pelo menos façam de conta que se importam, e coloquem essa porra desse shopping em um lugarzinho habitado por pessoas que não carreguem consigo a vontade de explodir cada um destes antros de consumo do satanás (dica: longe da minha casa), sem esfregar a luxúria na cara da miséria e depois lamber os dedos. Fiquem sabendo que eu quase vomitei assistindo ao comercial de vocês e que eu espero que o Barra Shopping Sul fracasse miseravelmente. E, em tempo: vão tomar no cu.