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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Alô, é do cativeiro?*

Nem bem a Isabella esfriou no caixão após alçar vôo e a grande mídia já encontrou a sua nova menina dos ovos de ouro, que vem fazendo a alegria das redações jornalísticas Globais e não-Globais desde o começo da semana passada. Nada mais é considerado absurdo (na opinião deste humilde blogueiro, ao menos) na cobertura midiática de 'tragédias nacionais', como a de uma menina que foi assassinada discretamente pelos pais, a de outra que foi mantida refém pelo ex-namorado favelado de nome chique, a do bebê que ficou pendurado na cerca pela fralda, a da família baleada por policiais dentro do carro, e por aí vai. Tudo é possível sob o novo modelo Big Brother de jornalismo, que sangra através da televisão e tinge de carmim as páginas de periódicos.

Se a Sônia Abrão sentir vontade de ligar para o seqüestrador enquanto ele mantém o pessoal no cativeiro, dou todo o apoio. Afinal, que mal tem uma repórter semi-profissional senil bater um papo descontraído com o Lindemberg enquanto ele aponta a arma para a sua amada menor de idade? Deixa a mulher ser feliz! E se o William Bonner quiser mostrar um infográfico detalhando quais órgãos de Eloá serão doados a quem, no melhor estilo 'curso intensivo para açougueiro', tudo sussa. Deixa o cara. Além de receber órgãos fresquinhos, assim o pessoal também aproveita para torrar os seus quinze minutos de fama, tudo em uma tacada só.
O que importa se a polícia fez cagadinha e explodiu a porta na hora errada ou se o pai da Elô é um serial killer foragido ou se o Datena ficou brabinho por não ter conseguido o número do Lindemberg antes da concorrente? Eu quero saber é se o Pato vai ou não visitar a guria que sobreviveu e quer tirar R$2.000.000 do Estado, apesar de ter voltado ao cativeiro por vontade e imbecilidade próprias. Parafraseando Michael Stipe: it´s the end of the world as we know it (and I feel fine).

*Para os chocados de plantão, duas palavrinhas amigas: fodam-se!

sábado, 30 de agosto de 2008

Os dois lados da propaganda política

Um verdadeiro show de horrores esse horário eleitoral. A cada ano que passa a gente pensa que os marqueteiros políticos finalmente colocaram o rabinho entre as pernas e rastejaram de volta pro buraco de onde nunca deveriam ter saído, porém, ano após ano somos bombardeados com um espetáculo teatral grotesco que não poupa esforços para fazer com que a dona Josefina Lavadeira acredite que a Maria do Rosário possui emoções humanas, ou com que o seu Zé da Vila do Cachorro Sentado se identifique com a história de vida da vovozinha do Onyx Lorenzoni.
Só não contaram pra coitada da Manoela que sair abraçando criancinhas é tão século XX que chega a doer na retina. E também esqueceram de alertar a ex-poodle toy Luciana Genro que fazer chapinha em propaganda política, apesar de ser hilário - na opinião deste humilde blogueiro -, só vai fazer com que o pessoal nutra mais ojeriza por ela e pelo seu deserdado pai.
Nem é preciso comentar o desfile de aberrações dos candidatos a vereador, que vão desde taxistas que prometem a mudança da cor dos veículos até velhinhos caquéticos com os dois pés e as duas mãos na cova, só com a cabecinha ainda aparecendo.

O que nos leva ao outro lado da propaganda política. Ou da não-propaganda política. Pra quem não sabe, o Washington Olivetto é um dos publicitários brasileiros mais venerados de todo o sempre. Isso mesmo, aquele que foi seqüestrado e que fez o comercial do primeiro sutiã que a gente nunca esquece.
Pois é, o Olivetto é o responsável pela campanha de votação desse ano. Aquela do 'quatro anos é muito tempo'. Eu descobri isso sem querer num dia em que assistia TV com a minha mãe. Estávamos ambos sentados no sofá quando apareceu um cara falando que tinha uma abelha dentro do ouvido há quatro anos. Como boa estudante de psicologia, sem tirar os olhos da tela, minha mãe diagnosticou precipitadamente, em tom pesaroso: 'esquizofrenia'. Eu estava até concordando, até que o comercial chegou no trecho onde o homem conta que estava um dia no parque e a abelha entrou no ouvido dele e nunca mais saiu. A partir dali o que nos parecia um comercial integrante da campanha pelo tratamento da esquizofrenia se mostrou apenas mais uma das crias de Washington Olivetto, junto com o comercial do cara que sapateia involuntariamente, do imbecil que perde a passagem do cometa Haley, da débil mental que dá meia-volta antes de passar por alguma porta, etc. Tudo a ver com a responsabilidade do voto consciente. Como é a norma em publicidade: conscientização social = zero; gracejo massageador do ego = 100000.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Dê uêi fins ár

Quantos publicitários desavantajados intelectualmente são necessários para criar slogans ultrajantes como "as coisas como são" e "é o que é"? Resposta: nenhum. Na verdade essa pergunta foi um pega-ratão, porque todo mundo sabe que ninguém precisa de publicitários. E digo mais: se todo o quadro de funcionários de todas as agências de publicidade do mundo fosse substituído por uma dúzia de chimpanzés sem treinamento profissional, dou palavra minha de que saía coisa melhor. "Sprite. As coisas como são". Nossa, poético o negócio! Imagino como foi o brainstorm dessa aberração de campanha imbecil:
publicitário acéfalo n.1: O negócio é o seguinte, pessoal: eu vou passar esse saquinho com várias palavras desconexas e aleatórias, então cada um de vocês vai enfiar a mão dentro desse saquinho e dizer em voz alta a palavra que pegou de dentro do saquinho.
publicitário acéfalo n.2: Primeiro eu! Primeiro eu! Eba, peguei um "as"
publicitário acéfalo n.3: Eu peguei "coisas"
publicitário acéfalo n.4: E eu tenho aqui um..."como"
publicitário acéfalo n.5: "São"
publicitário acéfalo n.1: Beleza. Então fechamos em "as coisas como são". O que vocês acham? Se não gostaram eu passo o saquinho mais uma vez.
publicitários acéfalos de 1 a 5, em uníssono: Não, ficou bom assim. Agora vamos fazer a do Guaraná Antártica.