segunda-feira, 25 de junho de 2007

Três coisas que você podia dormir sem saber

Outro dia eu cheguei na FAMECOS e estavam tocando "Declare Independence", do novo CD da Björk, uma escolha no mínimo horrenda para uma rádio de saguão.
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Pessoas que dizem "eu sei tudo de inglês" na verdade são um cocô em português e têm pau pequeno.
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Outro dia eu assisti a um filme chamado "A menina e o estuprador", que muito me assustou, e que me fez sentir saudades de "Oh! Rebuceteio".

aS publisidade eh cutlura!!1

Eu agradeço à publicidade por aprender diariamente coisas que, de outra forma, eu passaria por esta vida sem descobrir. Por exemplo, eu descobri que gato tem etapa e estilo de vida, e que se o dono não comprar o Cat Chow correto, ele corre o risco de perder os órgãos genitais em um acesso de fúria de seu felino mascote. Descobri também que é óóóbvio que não existe nada mais desconfortável do que secura vaginal neste mundo. E cá pra nós: quem não odeia ter que fazer aquela corridinha matinal com a vagina seca feito uma lixa? Outra coisa importante que eu aprendi foi que se eu deixar as minhas havaianas viradas pra baixo na beira da praia, uma mulher muito gostosa e fácil vai aparecer e se oferecer para fazer sexo dentro d'água comigo. Também descobri que, se tudo der errado na minha carreira profissional, eu posso virar redator do comercial da Avon com a Ana Paula Arósio, aquele onde ela está toda maquiada com cores surpreendentes, de tons contrastantes e toques aveludados, que dão um visual energizante e estimulante. Quanta coisa eu não já aprendi com a publicidade? Bastante coisa, eu digo. Bastantes coisas.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Dê uêi fins ár

Quantos publicitários desavantajados intelectualmente são necessários para criar slogans ultrajantes como "as coisas como são" e "é o que é"? Resposta: nenhum. Na verdade essa pergunta foi um pega-ratão, porque todo mundo sabe que ninguém precisa de publicitários. E digo mais: se todo o quadro de funcionários de todas as agências de publicidade do mundo fosse substituído por uma dúzia de chimpanzés sem treinamento profissional, dou palavra minha de que saía coisa melhor. "Sprite. As coisas como são". Nossa, poético o negócio! Imagino como foi o brainstorm dessa aberração de campanha imbecil:
publicitário acéfalo n.1: O negócio é o seguinte, pessoal: eu vou passar esse saquinho com várias palavras desconexas e aleatórias, então cada um de vocês vai enfiar a mão dentro desse saquinho e dizer em voz alta a palavra que pegou de dentro do saquinho.
publicitário acéfalo n.2: Primeiro eu! Primeiro eu! Eba, peguei um "as"
publicitário acéfalo n.3: Eu peguei "coisas"
publicitário acéfalo n.4: E eu tenho aqui um..."como"
publicitário acéfalo n.5: "São"
publicitário acéfalo n.1: Beleza. Então fechamos em "as coisas como são". O que vocês acham? Se não gostaram eu passo o saquinho mais uma vez.
publicitários acéfalos de 1 a 5, em uníssono: Não, ficou bom assim. Agora vamos fazer a do Guaraná Antártica.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Minha primeira síncope

O Washington Olivetto disse que o primeiro sutiã (ou era Valisére?) a gente nunca esquece. Mas como eu não carrego um par de seios saltitantes em meu tórax, resta a mim nunca esquecer do meu primeiro desfalecimento, que ocorreu, sem muitas expectativas, na noite de hoje. Este pobre vivente levantou da cama para retirar um livro da estante, porém calculou errado o tempo do trajeto entre seu leito e sua gigantesca biblioteca particular e acabou vendo tudo preto antes de poder gritar por socorro. Seu pai, que ouviu o barulho da queda, pensou ter ouvido apenas a porta do banheiro sendo fechada com violência sobrehumana ou o costumeiro deixar cair de uma tonelada de livros sobre um inocente monografista, e não deu por conta de que este que vos fala jazia estatelado em seu humilde habitat. Eis que o recente desmaiado volta da quase-morte e pensa ter retornado de uma viagem astral psicodélica, soergue-se e tenta relatar o ocorrido ao seu distraído pai, que sugere que ele sente na cama enquanto pede desesperadamente pelo medidor de pressão, que termina por revelar a temível combinação de sístole e diástole de 15 por 10, o suficiente para podermos considerá-lo, praticamente, defunto naquele momento tão especial de sua vida. Então o pobre menino sente a euforia característica dos novos desmaiados, acompanhado da vontade de contar a tudo e a todos sobre o seu cóccix fraturado, sua possível contusão cerebral e seus momentos de experiência extra-corpórea, tarefa a qual, com relativo sucesso, ele acaba de cumprir.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Neve em Porto Alegre

Quer coisa melhor do que passar o dia mais frio da minha vida trancado no quarto comendo farofa com ovo e ouvindo Iron & Wine enquanto assisto Casos de Família?

domingo, 20 de maio de 2007

xópin mau

"A sociedade que modela tudo o que a cerca construiu uma técnica especial para agir sobre o que dá sustentação a essas tarefas: o próprio território. O urbanismo é a tomada de posse do ambiente natural e humano pelo capitalismo que, ao desenvolver sua lógica de dominação absoluta, pode e deve agora refazer a totalidade do espaço como seu próprio cenário."
Guy Debord, A sociedade do espetáculo, p. 112
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Porto Alegre vai ganhar mais um shopping center. É isso aí, gurizada. Ao que parece, nós não estamos satisfeitos com o Iguatemi, com o Praia de Belas, o Rua da Praia Shopping, todos os Bourbons, o Moinhos e a puta que pariu. O capitalismo diz que a gente deve trabalhar exaustivamente para ganhar cada vez mais dinheiro e comprar cada vez mais, para que tenhamos que trabalhar compulsivamente para pagar as despesas e fazer novas aquisições que exigem o acúmulo cada vez maior de onças-pintadas, mico-leões-dourados, araras e, de tempos em tempos, uma gorda garoupa. Então, conseqüentemente, Porto Alegre precisa de mais um shopping. A campanha publicitária do Barra Shopping Sul já estreou na televisão, com uma inserção básica no intervalo do Fantástico, e possui um minuto de duração (pelo menos foi o tempo percebido por este que vos escreve) onde podemos depreender algumas coisas interessantes: vai ser um puta dum shopping, o maior do Estado; aparentemente, a pessoa precisa ser bonita para freqüentá-lo; dentro desta monstruosidade será possível fazer refeições olhando para o Guaíba; o modesto empreendimento será localizado ao lado da vila que fica perto do Jockey Clube de Porto Alegre (ou sobre ela, o que for mais vantajoso); serão quase duzentas lojas, mais uma dúzia de megalojas-âncora (que diabos de aberração seria uma megaloja-âncora?); apesar de o comercial já estar sendo veiculado, o tal do Barra Shopping Sul só será inaugurado no final de 2008 (dois mil e oito). Dentre estas informações, a que me deixa com a pulga mais gorda atrás da orelha é a que se refere à localização do Shopping. Construir um templo do supérfluo colado a um conjunto habitacional de pessoas muito desafortunadas é, ao meu ver, a maior falta de humanismo e respeito ao próximo (se é que estes vagos conceitos morais existem nesses tempos de mentalidade corporativista) desde o escândalo envolvendo a Daslu. Pelo menos façam de conta que se importam, e coloquem essa porra desse shopping em um lugarzinho habitado por pessoas que não carreguem consigo a vontade de explodir cada um destes antros de consumo do satanás (dica: longe da minha casa), sem esfregar a luxúria na cara da miséria e depois lamber os dedos. Fiquem sabendo que eu quase vomitei assistindo ao comercial de vocês e que eu espero que o Barra Shopping Sul fracasse miseravelmente. E, em tempo: vão tomar no cu.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Um intolerante incomoda muita gente

Parafraseando a minha querida amiga Regina Duarte: eu tenho medo! Medo, não. Nojo! Asco por essa tal de Igreja Católia. E não só a Católica como também a Metodista, a Universal, as testemunhas de Jeová e o escambau. Sinto vergonha por esta chusma de pervertidos que domina as mentes de nossa população pobre de renda e de cultura. Se existisse um inferno, e se existissem o pecado e a punição, pastores, bispos, rabinos e outras variáveis episcopais seriam os primeiros da fila do castigo. E rezar um punhado de pai nossos e ave marias não chegaria perto de expurgar as atrocidades que cometeram em vida. A sociedade chegou a um ponto de cegueira em que eu não posso mais me calar e ser julgado intolerante por meter o dedo na ferida dourada da Igreja moderna. Simplesmente não existe certo e errado quando se trata de proibir o uso de camisinha em uma população que faz mais filhos do que escândalos políticos. Estes filhos, inevitavelmente, terminam caindo nas tentações do crime em um país de contrastes visíveis e grotescos. E o Papa vai estar refrescando a careca em sua Mercedes modificada e vestindo seu manto dourado enquanto nós damos tchauzinho para o avião papal e viramos as costas para o caos que se instala em nossos quintais. Que diabos esse senhor veio fazer aqui nestas terras, que eu mal pergunte? Condenar seitas (o Papa não gosta de concorrência?), o divórcio, desvios sexuais (seria a Igreja intolerante?), pregar a virgindade até o casamento (com certeza o senhor Bento XVI não sai muito de casa), aconselhar o povo a não usar a tal da camisinha (se Jesus não precisou de camisinha, quem somos nós para atestar o contrário? Agora, se o Espírito Santo tivesse transmitido uma gonorréia braba para a coitada da Maria, aí sim eu queria ver o que o Bentinho iria dizer)? Prometo que dedicarei o restante da minha humilde vida para acabar com esta palhaçada toda de Igreja e fanatismo. Talvez eu seja um pouco intolerante. Intolerante à podridão, perversão religiosa, fanatismos. Intolerante ao poder de manipulação dos fortes sobre os mais fracos. Mas não deveríamos todos ser intolerantes a tudo isso? Deixemos a intolerância sexual, racial e social apenas para as Igrejas, que de intolerância estão cheias. Vade Retro, Bento XVI!

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Em menos de sete meses, eu preciso...

...aprender a escrever, fingir gostar de publicidade, encontrar equilíbrio mental, destruir o professor de campanha dois, fazer aniversário, compor uma música, vender a alma para o diabo, eliminar o mau cheiro nas axilas, aceitar o fim do mundo, produzir uma monografia decente, perder a barriga, aprender a falar em público, controlar os gases, descobrir algum tipo de entorpecente legalizado, reivindicar pelo menos uma causa, trocar de TV, fingir que já é inverno, fazer doações, plantar cinco árvores para cada hora de ar condicionado ligado, encontrar a alma gêmea, arrebentar três fitinhas do Nosso Senhor do Bonfim, ir mais ao cinema, perder traumas de infância e aprender a mijar fora da casinha, morrer de raiva e de felicidade.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Bonita camisa, Fernandinho!

Se tem uma coisa que eu aprendi cursando Publicidade e Propaganda é que a propaganda não é a alma do negócio. A propaganda em si não possui alma. Não serve propósito algum. Chamá-la de arte é inflar de sentido uma técnica explícita de enganação ardilosa sem significação alguma. Ser publicitário é morrer um pouco por dentro toda vez que uma campanha tem o aval do cliente. Se for propaganda de cerveja, então, morre-se três vezes mais rápido. O engraçado é que os caras acabam se achando tão importantes que quando o povo se apropria de bordões do tipo ‘não é uma Brastemp’ eles acham que fizeram um grande serviço social. Quer dizer, se a marca passou a fazer parte de uma expressão popular ela deve morar no coração de cada um desses brasileiros, verdade? Dificilmente. A lavadora de roupas aqui de casa tem vida própria e passeia pela área de serviço de tempos em tempos, assombrando os vizinhos. É uma Brastemp. A lava-louças mal seca os pratos e deixa os talheres mais sujos do que quando eles entraram. Pode crer que é uma Brastemp. O freezer? Solta água a torto e a direito e entope o escoamento uma vez por ano. Brastemp de novo [sim, nós caímos direitinho]. Agora, quando aparece a propaganda engraçadinha da mulher que tá pegando o personal trainer, ou da imbecil escabelada do pastel de vento, é pra rir ou é pra chorar? E quando aquela criança pervertida pede pra fazer cocô na casa do Pedrinho, porque lá ele pode espraiar um Gleid e acabar com o cheiro da própria merda, é pra achar engraçadinho ou é pra se envergonhar de estar cursando Publicidade? Porque eu entendo que o cliente chegou, passou o briefing, a criação quebrou a cabeça para chegar a essa solução maravilhosa, que passou a bomba pra produção, que teve que encontrar o menininho cagão homossexual, que passou a batata assando pro mídia, que teve a brilhante idéia de veicular essa pouca vergonha no horário do meu almoço, e a coisa ficou por isso mesmo. Mas será que a sociedade precisa da propaganda? A situação já não está difícil o bastante pra maioria? Então, pensem bem antes de se emocionarem com a menininha vesga que espera pelo irmãozinho enquanto a Adriana Calcanhoto enche os nossos ouvidos, ou com as criancinhas deficientes físicas que dizem ‘oi’ no final de cada propaganda de celular, uma pior do que a outra. Este é o meu conselho. Não é lá uma Brastemp, mas espero que sirva pra alguma coisa.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

É fantastico! Plim.

Quando se pensava que o Fantástico havia atingido o ápice da escala do mau gosto dominical, eis que surgem, de repente, na tela da minha televisão, Zeca Camargo e Glória Maria, eu com fones de ouvido, prestando atenção na seriedade que ambos estampavam nos seus medonhos semblantes. De imediato afastei os fones, aumentei o som da TV e me preparei para o pior. Entra Fátima Bernardes, chapinha japonesa no cabelo, terninho enxuto impecavelmente liso, expressão de pesar no rosto. Começo a sentir cheiro de menininho arrastado por três bairros no Rio de Janeiro e já sinto repulsa. Meus temores se confirmam, e a querida Fátima, ela própria tendo expelido trigêmeos há um punhado de anos, convida os pais do menino a sentarem-se no sofá. O que segue são mais de cinco minutos do mais puro e repugnante jornalismo sádico, que mais pareceram 20 minutos ou meia hora, enquanto assistíamos [eu e a população brasileira] à Sra. Bonner iniciar a entrevista com aquela perguntinha básica: Você consegue lembrar exatamente como tudo ocorreu? Conte os detalhes para nós. Criancinha arrastada pra cá, criancinha arrastada pra lá, e aquilo tudo acaba nos levando ao clímax desta reportagem exclusiva: uma espécie de ‘violência no Brasil para leigos’ em menos de 1 minuto. Cruel.
As vezes eu penso em mandar estuprar a mãe de alguns repórteres, ir atrás com uma câmera e registrar tudo em vídeo, depois passar as imagens na primeira reportagem do Jornal Nacional, pra ver se é divertido estar do outro lado. Ou então mandar matar o filho deles, capturar as imagens do momento em que morreu, do velório e do enterro e fazer um compacto a ser anunciado com pesar pela Glória e pelo Zequinha nos primeiros minutos do Fantástico, só pra ver se eles gostam. E não me venham com esse papinho de apelo aos políticos ou qualquer outro tipo de baboseira da grossa. Não adiantou com a menina que morreu no primeiro dia em que andou de metrô sozinha, não adiantou com a família que morreu carbonizada dentro do próprio carro, também não adiantou quando o casal Bonner teve sua casa invadida por bandidos, e não vai adiantar enquanto a imprensa brasileira continuar enxergando a dor dos outros como um par de pontos a mais no IBOPE e, pior de tudo, saindo por cima como a heroína da história toda.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Pedro Bial de chinelo e os tripulantes da nave Big Brother


Começou o Big Brother Brasil 7, que na verdade deveria se chamar Big Brother Brasil Classes A1-A2, pois o caminho que a Globo resolveu trilhar nesta edição foi o do culto à beleza comprada e aos cérebros embalados à vácuo, apenas, eliminando qualquer resquício de chance que a Mariazinha-semi-analfabeta e o Joãozinho-meio-salário-mínimo tinham de participar do programa. Ao superlotar a casa do BBB com ex-dançarinas do Gugu, acompanhantes masculinos do catálogo da Globo, e a eventual atriz de pegadinhas do João Kleber, a emissora chutou o pau da barraca e decidiu assumir a verdadeira sacada do programa, desde o começo: corpos bonitos vendem. E, convenhamos, quem nunca sentiu um refluxo ao se deparar com a Cida de biquíni depois do jantar? Ou correu pro banheiro e enfiou o dedo na garganta depois de ver a Léa escarafunchando seus órgãos genitais debaixo do chuveiro ao ar livre?
Mas daí a eliminar o sistema de seleção por cartas existe um grande e cabeludo porém. Maldade pura. E para desviar a atenção desta mudança ínfima no script, parece que os diretores decidiram radicalizar ao desqüalificar dois participantes, eu disse DOIS ENERGÚMENOS, antes mesmo do começo do jogo e ao enviar dois casais para o primeiro paredão, eu disse QUATRO ACÉFALOS COMPLETOS NO PRIMEIRO PAREDÃO. Como diria o nosso querido amigo Dhomini: Big Brother é programa de utilidade pública! Injustiça social aqui, injustiça social lá. Milhões de idiotas assistindo daqui, uma dúzia de delinqüentes se exibindo de lá. Dhomini é filosofia pura.

sábado, 16 de dezembro de 2006

O que eu ouvi em 2006

2006 foi um ano imensamente prazeroso musicalmente. Por isso, hoje eu resolvi fazer um apanhado do que foi bom e do que foi terrível, na minha opinião, durante este fantástico ano que agora nos deixa. Vai ser um tijolaço, isso eu posso adiantar. Portanto, sentem-se que lá vem história. Claro que só eu acesso essa v*****, portanto, fodam-se.
Joanna Newsom: para uns, a possível cria de uma ninhada entre a Björk e o satanás, treinada vocalmente pela orquestra dos gatos torturados e apadrinhada por Janis Joplin e um arranhão no fundo da panela com um garfo, batizada sob os sons de unhas no quadro negro. Para outros, uma elfa com uma harpa. Dependendo da categoria em que você decida se enquadrar, ouvir Joanna Newsom pode ser a melhor experiência auditiva da sua vida ou a coisa mais tenebrosa que já atingiu o seu sistema auditivo desde o retorno de Dinho Ouro Preto. Mas eu não quero me estender muito aqui falando sobre ela. Tenho a dizer que The Milk-Eyed Mender é uma das coisas mais perturbadoramente brilhantes que eu ouvi neste ano e que Ys (um post específico para esta obra vem a seguir), lançado no mês passado, é definitivamente o CD do ano. Não só do ano, mas talvez de vários anos. É de explodir a mente. Dêem um jeito de ouvir. Mas nem só de Joanna Newsom vive o homem. Devendra Banhart é da mesma família musical. Talvez um primo distante e caipira de Joanna. O som que ele faz é infinitamente mais acessível que o dela, mas os dois se unem em espírito no movimento, muito infelizmente cunhado de freak-folk. Foi ele o “responsável” pelo feliz retorno de Vashti Bunyan aos palcos e aos estúdios. Por falar em Vashti Bunyan, não deixem de conferir Just Another Diamond Day (o CD que ela gravou no final da década de 60, mas que só agora está recebendo a devida atenção) e Lookaftering, seu igualmente fantástico CD lançado no ano passado (Joanna Newsom toca harpa em uma das faixas, Denvedra toca violão). De volta a Devendra, ouçam Niño Rojo, se possível. Foi o único CD dele lançado no Brasil. Belíssimas composições e letras que transmitem uma visão infantil, inocente, mas ao mesmo tempo madura e esclarecida do mundo. Rejoicing in the Hands e Cripple Crow estão à altura e merecem atenção. Outra banda muito legal que eu acabei descobrindo só neste ano foi o The Fiery Furnaces, na verdade uma dupla de irmãos (mais uma, eu sei, eu sei). O som que eles fazem não dá pra generificar, mas é uma mistura de blues, opera-rock, pop chiclete, eletrônica, e rock lo-fi, tudo isto banhado a muito Pro Tools e vocais meia-boca competentes. Blueberry Boat é uma experiência interessante, detestada e cultuada por muitos em proporções iguais. Bitter Tea, lançado neste ano, não foi adquirido por este ouvinte (ainda), e EP (recentemente adquirido) vale bastante a pena também. Da minha viagem à Buenos Aires neste ano eu acabei trazendo algumas pérolas (outras nem tanto). Juana Molina (por coincidência, Argentina de origem) é uma delas. Seu último CD, Son, possui uma beleza e simplicidade de composição de encher os ouvidos. Juana é mais uma banda-de-uma-mulher-só, uma Imogen Heap ou Camille da vida, e seu som pode ser definido como um folk eletrônico sussurrado, com partes iguais de ambiência e de cantoria. Nota mental: da próxima vez que pisar em Buenos Aires, procurar os outros dois CDs da moça. De lá veio também um pouco de Yeah Yeah Yeahs, cujo brutalidade do primeiro CD beirava a loucura, e David Bowie, que só agora, uns trinta e poucos anos atrasado, eu fui conhecer melhor (nunca é tarde!). Dos nossos amigos com incrível mau gosto para escolha do nome da banda eu comprei Show Your Bones, lançado neste ano. Menos gritado e mais calmo, foi uma surpresa boa escutar Gold Lion e descobrir que a sua melodia pegajosa já estava instalada em meu inconsciente musical há algum tempo. De Bowie (o certo é bôi ou bovái, questionaria-se a minha querida mãe) eu trouxe Hunky Dory (Changes, Life on Mars?, Quicksand) e o inegável clássico Ziggy Stardust (Five Years, Rock’n’Roll Suicide e Starman, cuja versão do Nenhum de Nós [Astronauta de Mármore] acabou se tornando mais famosa aqui por estas bandas do que a original). A voz do cara é do tipo ame ou odeie (confesso que fico no meio-termo), assim como as de Bob Dylan, Antony, Joanna Newsom e Wayne Coyne (ugh!), mas pra mim o que vale mesmo é a música, e tem muita coisa boa nestes dois discos preciosos, que com certeza eu ainda não ouvi tanto quanto merecem. Neutral Milk Hotel dispensa introduções (basta dizer que eu batizei este blog em homenagem a eles). Com certeza um dos CDs mais brutais e sinceros que eu já ouvi. Tudo bem que não foi lançado em 2006 (foi em 1998), mas eu descobri neste ano e agora ninguém mais tira de mim. Cat Power também já teve seu saco puxado, e seu último, The Greatest, chegou em janeiro já garantindo lugar na lista dos melhores do ano. M. Ward lançou um dos mais aclamados álbuns do ano (por ambos crítica e público), Post-War. A primeira música é bacana demais. Embora a sua Jack Johnson-sice as vezes me atrapalhe um pouco, é um grande álbum de belas composições. Danielson (sim, existe uma banda com este nome) lançou o seu Ships lá por meados de maio, e o CD todo é muito cheio de bizarrices e melodias inspiradas, que lembram muito Sufjan Stevens em seus melhores dias de animador de parque de diversões. Two Sitting Ducks é uma das músicas mais legais do ano. Califone e Grizzly Bear lançaram duas grandes pequenas obras-primas agora no finalzinho do ano, e ambos requerem repetidas e atentas audições. Os dois entram na lista também. Direto da terra-natal do Franz Ferdinand, Mogwai e Belle and Sebastian, chegam os escoceses do Camera Obscura, com seu terceiro disco (Let's Get Out of this Country), que parece ter vindo direto da década de 60. Neste ano eu ouvi tantas coisas diferentes que se eu fosse contar tudo aqui daria um livro muito chato e pessoal demais, por isso eu cito a seguir alguns nomes conhecidos e outros nem tanto que eu curti muito em 2006: Amadou & Mariam, The Clash, The Mars Volta, The Velvet Underground, The Shins, Portishead, TV on the Radio, Captain Beefheart, Circulatory System, Pink Floyd, Jethro Tull, Islands, Clap Your Hand Say Yeah!, Wolf Parade, Feist, Herbert, Damien Jurado, Interpol, Jeff Buckley, Mirah, Pedro the Lion, The Unicorns, Art Brut, Yo La Tengo.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

My humps, my humps, my humps, my humps, my lovely lady lumps. Check it out!

Quando eu era pequeno, a minha avó cortava a carne, mastigava bem mastigado, e de alguma forma (que Deus me permita nunca lembrar) colocava aquela gororoba pré-digerida direto na minha boca, sem questionamentos. Claro que, se alguém tivesse contado para a vigilância sanitária, hoje eu estaria escondendo maços de cigarro no ânus e visitando minha querida vovozinha no xadrez. Mas não foi assim que aconteceu, e isto continuou até alguma fase mais avançada onde meus dentes começaram a crescer (com a graça do nosso bom Deus) e se fortificar. Dispensável dizer que desenvolvi alguns traumas alimentícios por causa de todos os danos sofridos durante aquela época.
Fast-forward para os dias de hoje, eu já consigo me alimentar através da utilização de um garfo e de uma faca, mastigando cada um dos alimentos que o nosso Senhor colocou sobre a face desta terra (com os meus próprios dentes). Mas basta de histórias de velhinhas cruéis e traumas infantis. O que eu queria mesmo era fazer uma introdução para o assunto do consumo de cultura, meu povo. Dá pra acreditar?
Acontece que aquilo que a minha querida vovozinha fazia naquela época é assustadoramente parecido com o que a indústria cultural vem fazendo já há algum tempo. As pessoas perderam a capacidade de digerir por conta própria as músicas que ouvem, os filmes que assistem, os livros que lêem. Claro que isso, vindo de um pobre infeliz que ouvia Spice Girls e (Deus seja louvado) Britney Spears há uma quantidade não significativa de anos, pode parecer insanidade mental, mas ouçam bem.
Às vezes eu estou no carro (é sempre no carro!) e tenho que ouvir comentários que nenhum ser humano merecedor da vida que leva deveria ouvir. Se a música que toca no rádio não tem seu respectivo videoclipe no Disk MTV é um tal de “troca de rádio, pelo amor de Deus” pra cá e “que musiquinha ruim essa, hein Dani?” (porque a culpa é sempre minha) pra lá. Se eu tento introduzir novas alternativas de músicas de verdade, é uma avalanche de “bom esse teu CD, hein Dani?” além de imitações muito próximas da realidade por parte de minha querida irmã, que tem uma incrível versatilidade vocal que vai desde Joanna Newsom até David Bowie, passando por Björk e Sigur Rós. No cinema acontece coisa parecida. Se o filme recebeu treze quinquilhões de estrelas na Veja, então pode ter certeza que a sala de cinema estará lotada, e o filme vai ser bom mesmo. Não importa que os editores da revista tenham recebido uma estadia gratuita de uma semana nas ilhas Phi Phi ou mesmo que o elenco tenha sido emprestado de uma casa de prostituição infantil em Bangladesh. A literatura morre um pouco a cada dia, também. Se o livro do Paulo Coelho está em primeiro lugar na lista da Folha de São Paulo, deve ser um prazer inigualável de se ler e reler, mesmo que a pessoa precise passar por uma lobotomia para chegar até o final. Claro que eu nunca li nenhum livro dele, e só uso este exemplo por achar extremamente engraçado, de alguma forma.
Não estou aqui pra dar lição de moral em ninguém, porque do jeito que a mídia anda, é um tanto quanto difícil se ver livre de suas amarras. A diferença é que eu tento, enquanto muita gente (mesmo!) abaixa as calças, ajoelha e, pior de tudo, goza.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Ca' The Yowes to the Knowes

Qualquer comentário que eu fizesse não estaria à altura. Portanto, assistam.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Quem mais???

Hoje em dia todo mundo deu pra morrer de uma hora pra outra. A Nair Bello está sendo movida por controle remoto, o Buba tá dentro de um jarro e agora eu fico sabendo que o Jece Valadão está na contagem regressiva para subir ao telhado. Assim não dá, meu povo. Quem será o próximo? [sinal da cruz]

sábado, 18 de novembro de 2006

Existe um Deus!

A minha última semana de aula vai coincidir com a chegada do novo CD da Joanna Newsom aqui em casa. Já dizia o Padre Marcelo Rossi: "O mundo quer que você chore, mas Deus quer que você sorria".

domingo, 12 de novembro de 2006

Eu não abandonei o blog

É o meu estado catatônico-maníaco-depressivo que me impede de atualizá-lo com freqüência. Com professores para matar, trabalhos por fazer, música para ouvir, cabelo por cortar, filmes para assistir, estágio para fingir, além de um grande, longo e cabeludo etc, minha vida de escritor virtual fracassado foi virada ao avesso e estuprada duas vezes, tornando difícil e traumática a situação toda. Espero voltar no início de dezembro com novidades quentes sobre músicas que tenho escutado (uma lista enorme e cheia de tesouros), patologias que tenho observado (as vezes em mim mesmo), e ainda um review do ano que passou. Voltaremos.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Fato:

Eu vou sair da faculdade sem saber a diferença entre estratégia e tática.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Top 5 - Manchetes do dia

Notícia acompanhada de foto muito, mas muito assustadora, com perigo de convulsões em pessoas pequenas:
...
Melhor manchete com trocadilho infame do dia:
...
Manchete mais triste e nostálgica do dia:
...
Manchete "deixa eu ler de novo pra ver se eu entendi direito" do dia:
...
Pior enquete do dia, e possivelmente de todos os tempos:

domingo, 22 de outubro de 2006

Apocalipse não, obrigado!

Enquanto isso, parece que a toda-poderosa mídia esqueceu da gripe aviária/asiática/peste negra volume 2. Lembram que o negócio ia se desencadear de uma certa forma que ninguém estaria a salvo, no melhor estilo Resident Evil, em uma das piores epidemias já vistas desde os 'emos travestidos' Rebeldes. A verdade é que, com eleições presidenciais a caminho, e com a ameaça de uma segunda Guerra Fria entre um imbecil anão na Coréia do Norte e um deficiente físico megalomaníaco na América do Norte, a pobre da gripe que vinha ganhando momentum ao redor do mundo todo acabou se assemelhando a um simples resfriado passível de cura através da ingestão de um Benegrip verde e um amarelo. Essa mídia é mesmo coisa mais linda de Deus.