terça-feira, 1 de abril de 2008

Como se tornar uma pessoa sociável em cinco passos

1) Cumprimentar estranhos na rua, desde o mendigo que se finge de manco depois do meio-dia na Mariante até a equipe de limpeza da sala de cinema mais furreca da cidade. Fazer sinal de legal pro delinquente do motorista de ônibus que tá te pedindo passagem e abraçar e beijar todos os convidados de uma festa de gente chata e estranha também tá valendo. Simpatia é essencial.

2) Participar ativamente em pequenas conversações do dia-a-dia, mesmo que para isso você precise abdicar da sua política interna de bom senso. Experimente inserir em uma conversa constatações do tipo óbvio ululante, como 'que calor é esse, hein?' (muito útil em momentos de silêncio constrangedor no elevador); ou então algum tipo de comentário político genérico, como 'esse Lula é um lesado com nove dedos que só viaja' ou 'americano é tudo filho da puta', hits garantidos, principalmente na região sul.

3) Concordar, fingir interesse e completar diálogos incrivelmente entediantes. Quando aquela véia chata e reumática senta do teu lado e começa a conversar sobre a crise de hemorróidas aguda que a mãe do cunhado da namorada do filho vem sofrendo sem poder sentar por cinco meses, ou sobre o cisto sebáceo no testículo esquerdo do marido dela, que dificulta a penetração, só te resta imaginar um lugar feliz, concordar com a cabeça e, de vez em quando, completar uma frase ou outra dela, utilizando a técnica sanduíche-iche da repetição uníssona com delay, ou seja, assim que a pessoa estiver prestes a terminar uma palavra-chave que tu sabe como termina, tu vai lá e tenta completar mais rápido do que ela, agregando valor à conversa e fazendo a outra pessoa pensar que tu realmente tá interessado.

4) Tornar-se uma fonte inesgotável de mentiras brancas, muito úteis na conquista de novas amizades e novos relacionamentos amorosos. Por exemplo, quando a pessoa chega pra ti e pergunta 'tu gosta de Babado Novo?', primeiro tu respira fundo, resiste à tentação, e depois responde 'putz, adoro Babado Novo, tenho todos os CDs, tu tem que ir lá em casa ouvir' ainda tendo a opção de acrescentar 'e digo mais: Extravasa é um clássico da música popular brasileira desse início de século'. No começo pode parecer difícil, mas depois a coisa ocorre meio que automaticamente e tu já vai logo dizendo 'nossa, Casseta e Planeta é bom demais! Realmente, o Bussunda deixou um vazio no meio humorístico brasileiro e no meu coração também' ou então 'caaara, O Albergue é um filmaço! As atuações foram ótimas e aquela cena em que o cara corta o olho da japa fora foi muito convincente'. Não tem como errar.

5) Passar menos tempo na frente do computador, vendo putaria e lendo blogs chatos. Experimente começar agora.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Sobre tremas e ditongos abertos.

É, pessoal. Cagüete caiu. Seqüelado caiu. Quinqüenio caiu. Seqüestro caiu. Lingüiça caiu. Björk caiu. O trema morreu. E vão enfiar k, y e w no nosso alfabeto, para que os Waldisneys, Maycons e Keylannes desse meu Brasil não se sintam mais marginalizados ainda. Além disso, não se diferencia mais graficamente o pára do para, sendo que Pará continua acentuado até que se prove o contrário. E aqueles alunos das legendárias redações do Enem vão poder dormir sossegados, porque vêem, crêem, lêem e qualquer outro verbo ou palavra onde haja repetição de vogais não precisam - ou não podem - ser mais acentuados. Em outras palavras, preencher cheques e escrever redações para o vestibular acabam de se tornar tarefas muito mais agradáveis.
[/notícia velha]

sexta-feira, 7 de março de 2008

Campanha 'Contratem novos redatores para o Terra TV'

Porque quando eu leio a chamada 'Crianças comem bolo envenenado; assista!', eu sinto mais medo do que a Regina Duarte em época de eleição.


terça-feira, 4 de março de 2008

Viva o lado Coca-Cola da puta que o pariu!

Quando eu entrei na faculdade, meus familiares e amigos diziam coisas como 'vê se tu faz alguma coisa pra poupar a gente de tanta propaganda ridícula' e 'esse curso tem tudo a ver contigo'. Agora que eu saí da faculdade, eu vejo que a publicidade não tem salvação e, o pior de tudo: as pessoas realmente gostam dela, o que me dá vontade de enfiar um canivete na orelha e extrair pelo ânus de tanta raiva. Mas, digressões à parte, alguns tipos de publicidade se destacam dos demais por serem tão arcaicos e intelectualmente ofensivos que eu fico me perguntando se alguma pesquisa de mercado mostrou que eles são, de fato, eficientes.
Encabeçando o top 3 da publicidade degradante temos o falso testemunho, do tipo 'o meu dentista só usa esse creme dental, é incrível, ele acaba com 12 tipos de perebas bucais que não existiam até o século passado, só que ele pediu pra não mostrarem o CRO dele no comercial, porque na verdade ele não existe e foi criado pelo redator dessa bosta de campanha que viajou no tempo diretamente da década de 40'. Ou pior ainda quando colocam a Malu Mader pra falar de beleza feminina e recomendar produtos de asseio vaginal e etc quando ela mesma vem travando uma batalha pessoal contra sua monstruosa monocelha que já dura mais de vinte anos.
Logo em seguida temos o nonsense publicitário por falta de criatividade, que se divide em inúmeras subcategorias, como o escatológico e o acompanhado de prostituição infantil. Nesta categoria enquadram-se o 'quero cagar na casa do Pedrinho e jogar Gleid em cima pra tirar o fedor miserável da minha própria merda', todas as campanhas de cerveja - que, impossibilitadas de se calcarem em vantagens e benefícios do produto, afundam cada vez mais na bosta lamacenta dos clichês estereotípicos do homem desprovido de cérebro e da mulher biscate de botequim - e coisas como pessoas escorregando em escadarias utilizando caiaques ou slogans muito bons para serem reconhecidos em sua própria época, como o do Guaraná Antártica, que é o que é, e o da Pepsi - que, muito inteligentemente, enterrou o dadadadada a sete palmos.
Em último lugar, mas não menos insuportáveis, encontram-se as campanhas fantásticas de mistificação enganosa do produto, como aquela que dá nome a esse post, por exemplo. Quer dizer que, dentro da máquina de Coca-Cola, habitam uma inifinidade de seres hermafroditas que produzem aquele líquido cancerígeno e perigosamente viciante em meio a orgias alienígenas e paradas de júbilo à garrafa mais famosa do planeta Terra? Será que, em algum lugar do mundo, um CEO está querendo esconder o fato de que os nossos filhos vão nascer com as orelhas grudadas nas costas e com o pênis cravado no meio da testa devido a ingestão dessa meleca preta gaseificada? Hm, interessante. E o tal do McDonald's, que agora está querendo se posicionar como concorrente direto da Substância Light?! Gerações de crianças cresceram com o 'dois hambúrgueres alface queijo molho especial cebola picles num pão com gergelim é big mac plim' na ponta da língua, e agora os caras vendem maçã criada em laboratório e suco de laranja com gominhos artificiais de plástico pra tentar encobrir o estrago, mostrando sempre em sua publicidade crianças pervertidas que dão em cima de adultos e terminam com cara de trouxa para a câmera.
Passamos por um momento triste na publicidade. Tão triste que faz o filme do Casseta e Planeta parecer divertido. Faz a Ana Maria Braga falando com o bonequinho do Carrefour parecer aceitável. Faz eu ter vontade de recomeçar a minha vida como fiel da Igreja Universal do Reino de Deus. É, o curso não tinha nada a ver comigo, afinal de contas.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Crueldade com animais em horário nobre

Pedro Bial: Vamos fazer contato mais uma vez com os tripulantes da nave Big Brother. Boa noite, bravos guerreiros!
Uníssono dos bravos guerreiros: Boa noite, Bial!
Pedro Bial: Pessoal, a prova que irá definir o líder da semana é muito simples, mas para que eu possa explicar tudo nos conformes, peço que se dirijam ao lado de fora da casa.
[...]
Como vocês podem ver, nós temos nove colchões espalhados pelo jardim. Dentro de oito deles estão espalhadas seringas contaminadas com o vírus ebola. Tudo que vocês tem que fazer é escolher um colchão, deitar nele e esperar para que o pessoal da produção conecte eletrodos nos seus órgãos genitais e insira uma sonda anal em cada um de vocês. Feito isso, os colchões serão submergidos em tanques de água não-potável, e o participante que conseguir ficar mais tempo sem se mexer é o grande vencedor. Sempre lembrando que o vírus ebola é letal e que os eletrodos podem ou não causar esterilidade precoce combinada ou não com perda total da sensibilidade na região púbica. Atenção! Quando eu disser já...
[...]
Já!
[Juliana queima a largada]
Juliana, você está eliminada. Isso não significa apenas que você já está no paredão de terça-feira, mas também que você será levada para um quarto escuro onde será estuprada por cinco presidiários soro-positivos bem-dotados pelas próximas três horas. Lembrando sempre que está proibido o uso de preservativos e pílulas anti-concepcionais, e que apenas os assinantes do Pay Per View terão acesso exclusivo às cenas quentes da sodomização de Juliana. Uma boa prova pra todos, e até amanhã. E agora, vamos dar aquela espiadinha!?

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Tropa de Elite recebe o Urso de Ouro

Na condição de único brasileiro vivo que não assistiu Tropa de Elite, só me resta dizer: parabéns, José Padilha. Pelo menos até eu assistir o filme.

Registros aleatórios feitos durante a minha viagem

- Eu vi as barbas do profeta de perto, em Istambul. E não só as barbas como também os dentes, o cabelo e o cajado que ele usou para abrir o Mar Vermelho, igualzinho no filme dos Dez Mandamentos.

- Em Portugal, quando a gente pede água eles não perguntam se tu quer com gás ou sem, e sim se tu quer fresca ou natural, o que pode ser muito confuso no início.

- Embora se pense que os franceses não são lá muito fãs de banho, foi no vôo da Turkish Airlines que eu vi a face da morte bem de perto.

- Habib quer dizer 'amor' em árabe, e não 'gênio morbidamente obeso' ou 'esfiha de gente morta', como se poderia pensar aqui no Brasil.

- As mulheres portuguesas têm o bigode mais bem-feito do que o meu.

- Após sair ileso do trânsito egípcio, desenvolvi um amor todo especial pelo trânsito brasileiro.

- Se tu souber pechinchar, os turcos vendem a mãe, as irmãs, a filha e tu ainda leva a sogra de brinde.

- Pastéis de Belém são uma experiência sexual religiosa orgástica.

- Cheguei desarranjado no aeroporto de Atenas e encontrei o banheiro fechado para limpeza, no que a faxineira falou grego comigo e eu saí correndo para o banheiro de deficientes.

- Eu vi a Asena, a melhor bailarina de dança do ventre do mundo, ser leiloada para um velho broxa depois de um jantar-show na Turquia.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Calma, minha gente, é só a marca do fogão!

O servidor quebrou, tive que trocar o número do celular, mudar de endereço e sair do Brasil por umas duas semanas após o sucesso estrondoso do meu blog pelo país afora. Mas as coisas estão voltando ao normal e prometo retornar às atualizações constantes a partir de...já.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Zeca Camargo assume sua homossexualidade.

Não que isso fosse mistério pra ninguém, mas, em um post recente em seu insuportável blog, o jornalista - que, ao lado de Glória Maria, mostrou para o mundo inteiro que pessoas sem carisma e talento podem, sim, apresentar o Fantástico - resolveu vestir o fru-fru, calçar a sapatilha e assumir seu amor incondicional pelo homossexualmente clássico filme Xanadu. Pra quem nunca ouviu falar nesta maravilha do cinema da década de 80, trata-se de um marco na carreira de Olivia Newton-John, cujo papel é o de uma espécie de biscate do Carrefour que ultrapassa essa dimensão ao se jogar contra um muro em algum momento do filme, antes ou depois da cena clássica do trenzinho de patins, parodiada e/ou copiada por Austin Powers, Madonna, entre outros.
No post - que, como de costume, é longo e chato pra caralho - o Zequinha revela ainda sua tara por patins cor-de-rosa e admite ter soltado a franga e gritado feito uma menininha pré-pubescente durante uma apresentação do musical Xanadu na Broadway. Mas quem sou eu pra estragar a surpresa? Corram lá e leiam na íntegra a confissão homoerótica do rapaz.

sábado, 19 de janeiro de 2008

A gente percebe que tem alguma coisa errada no mundo quando...

...tu acorda e o teu pai tá chorando na frente da televisão porque o Fernando venceu a Prova do Anjo e recebeu uma carta da mãe que ele só vê uma vez por ano.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Falso testemunho é o fim. E vai contra os dez mandamentos!

Campanhas de conscientização raramente fazem aquilo a que se propõem: conscientizar. Quando o público-alvo são os adolescentes, então, é mais fácil enumerar os filmes brasileiros em que o Caio Blat não aparece do que colocar um marmanjo nos eixos.
A última campanha da RBS - após sucessos como 'Educar é tudo', 'O amor é a melhor herança, cuide das crianças' e 'Paulo Sant'anna, volta pro caixão' - é dirigida aos jovens gaúchos e o seu péssimo comportamento no trânsito. A sacada é a seguinte: se a gente pegar algumas atrizes globais gaúchas que fracassaram em Malhação e colocar elas pra dar depoimentos de cunho sexual leve em pleno horário nobre, talvez os adolescentes se sintam intimidados e criem vergonha na cara de uma vez por todas.
Mas nem tudo são flores no mundo colorido das campanhas de conscientização. Se a Letícia da Malhação não gosta de uma rapidinha, isso é motivo pra parar de beber antes de dirigir? E se a neguinha que acha que é branca na novela das oito não é lá muito fã de sexo anal, isso significa que eu vou pensar duas vezes antes de frear em cima do carro da frente? Não sei se entendi direito, mas sabe o que eu acho? Essa campanha é o fim.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Cinco coisas que me irritaram em 2007 (Não necessariamente nessa mesma ordem)

1) Banalização do 'Vai tomar no cu'
Tudo ia bem no mundo dos palavrões de leve intensidade, até que um dia chega uma atriz fracassada de terceira idade e coloca 'sem querer' um vídeo no iuiutubiu e toma o Brasil de assalto. Não demorou uma semana para que o país inteiro estivesse assobiando a melodia pegajosa e se aproveitando da oportunidade dourada para mandar os outros tomarem bem no meio do olho do cu - carinhosamente, é claro. Ringtone vem, cover da Eliana vai, e o vai tomar no cu acabou ganhando até prêmio no VMB, após ter sido considerado 'maravilhoso' por Jô Soares e outras aberrações do meio artístico. Me irritou muito, e qualquer um que ameace apenas cantarolar essa coisa perto de mim leva logo um 'vai te foder, seu filho da puta', muito mais eficaz e satisfatório, embora não musicado (ainda).

2) Fone de ouvido sem fio para celular
Tudo bem, não é novidade, eu sei disso. Mas me irritou em 2007, e esse é o nome da lista. Na minha concepção, simplesmente não é normal ver uma manada de molóides que parecem ter saído de um episódio ruim de Emmanuele - A Rainha das Galáxias transitando livremente pelas ruas, falando sozinhos e achando que são parte da revolução digital. Mal sabem eles que são motivo de chacota para as outras pessoas - como eu, por exemplo - que não conseguem entender como é que um indivíduo atarracha aquele vibrador portátil na orelha e sai falando e gesticulando como se aquilo fosse normal e aceitável. As vezes eu tenho que pensar duas vezes antes de responder prum imbecil desses que vem na minha direção, e isso é humilhante para ambos. Pessoal: fone de ouvido sem fio para celular não pegou. Não adianta insistir.

3) Overdose de Ivete Sangalo
Quem quer que seja a pessoa que aconselhou a Ivete Sangalo a cortar franja - ou colocar uma peruca com franja - deve estar rindo à toa nesse momento. Porque ela ficou ridícula. Se já parecia macho, agora parece um traveco em fase de decadência profissional. Mas isso não vem ao caso, porque o que me irritou em 2007 não foi só a franja masculinizadora da Ivetinha: foi o número de vezes em que eu liguei a televisão e tive que ouvir um dos jingles medíocres vociferados pela madrinha do Babado Novo e outras ervas daninhas da música brasileira. É cerveja, é chinelo de borracha, é tintura de cabelo... O número de aparições da pequena mulher macho é de fazer inveja até ao Ronaldinho Gaúcho, que foi pra geladeira publicitária há alguns meses mas promete voltar com tudo em 2008. Haja saco.

4) Os (vários) shows de despedida de Sandy e Júnior
Ah, o último show da Sandy e do Júnior. Que momento marcante para a história da MPB, que ruptura tão grave na carreira dos irmãos incestuosos mais queridos do Brasil. Mas quantos shows de despedida são necessários para dar adeus a um público em prantos? Seguindo a estratégia mercadológica de Harry Potter, Barbara Streisand e Glória Maria, Sandy e seu backing vocal estão se despedindo mensalmente, lançando coletâneas de maiores sucessos, DVDs acústicos, bonecos infláveis, e, conseqüentemente, higienizando as suas partes íntimas com notas de US$100 e leite materno da Zilu. Para desespero de seu irmão, Sandy ameaça fazer carreira-solo, como se ela não estivesse seguindo carreira-solo desde os tempos da pornográfica 'Abre a porta, Mariquinha!', canção-tema dos pedófilos desse meu Brasil... E cá pra nós, se eu fosse o Júnior, eu também estaria desesperado.

5) Dança do siri
Auto-explicativo. Se você tem amor a Jesus Cristo, aconselho que não mencione ou simule a coreografia desta piada sem graça perto de mim, senão eu pinço a sua genitália e dou um novo significado pra essa putaria toda. Falando sério.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Se eu abraçar uma árvore, posso cortar outras duas fora? Por favor!

Publicidade é realmente coisa mais linda de Deus. Os caras conseguem fazer até CO2 engarrafado parecer ecologicamente correto hoje em dia. É só perguntar pro imbecil que criou o comercial daquele carro cujo nome eu não faço questão de lembrar agora. Aquele comercial com uma redação que envergonha até o Paulo Coelho, onde o carro vai passando pela cidade, e a criação da agência tentou estabelecer semelhanças entre elementos urbanos e elementos da natureza. "Para mim, lombada é jacaré, grade é teia, janela é olho, mídia exterior é esterco", entre outras comparações que me deixam triste e me fazem trocar de canal. Como se a equação carro + natureza = felicidade suprema emocionasse alguém. E tem outra da Honda, que eu não vi inteira, mas que em algum momento um pica-pau forma o logotipo da empresa dando bicadas em uma árvore. Carro. Natureza. Tudo a ver. "Olha que bonitinho o pica-pau desenhando o símbolo da Honda", diz o coro das vovós noveleiras do meu Brasil. "Essa tal de Honda se preocupa com o meio ambiente, igualzinho àquele banco que a gente faz o símbolo com o dedo indicador e àquele supermercado que sempre faz comercial de Natal envolvendo criancinhas com histórias de desgraça acompanhadas por músicas da Adriana Calcanhoto". Só se for. Empresas que usam responsabilidade sócioambiental como estratégia de vendas se preocupam tanto com o meio ambiente quanto uma prostituta se preocupa em pegar herpes genital em um banheiro público. Ou seja: até que isso comece a influenciar diretamente no negócio delas. É essa a triste realidade que eu prometo combater uma vez formado *cof* em publicidade *cof*, publicitário por publicitário.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Moreno, 1,89m, 69kg, vendo meu corpo pra pagar formatura

Publicitário tem mania de sempre tentar parecer espertinho, ousado, imbecil... E, na maioria das vezes, fracassam miseravelmente nos itens número um e dois.
Escrevo isso enquanto olho para o convite da minha formatura, uma espécie de prostituição velada misturada com um toque de humor publicitês de penúltima categoria. Digamos que eu fui chamado de 'carne nova no mercado', e que o meu majestoso semblante se encontra estampado em um bife de segunda, embalado em plástico filme dentro de uma bandeja de isopôr. Com direito a carimbo e código de barras. Grave assim. E para colocar um pouco de tempero na mixórdia toda, nada melhor do que um sachê de Sazon contendo informações sobre local, data e hora da recepção dos convidados (aqueles que não se sentiram ligeiramente ofendidos ao receberem tão grotesco convite). O consenso no dia da entrega dos bifes era algo do tipo "puta que pariu, agora com que cara eu entrego isso pra minha família?". O negócio agora é sentar, esperar e rezar para que as piadinhas de cunho sexual cessem depois do dia da formatura.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Sexualidade precoce: a gente vê por aqui.

"Mamãe, por que é que aquela moça tá pelada roçando a genitália em um poste de luz cercada por um grupo de homens tarados em um quarto escuro enquanto o Antônio Fagundes fica olhando pela janelinha?". Foi a pergunta que muitas crianças lesadas fizeram para os pais na semana retrasada, ao se referirem à cena da novela Duas Caras em que a personagem de Flávia Alessandra - uma dona-de-casa mais do que desesperada por sexo casual - mostra todos os seus dotes físicos em uma performance de deixar muito marmanjo visivelmente excitado, causando conflitos matrimoniais graves do Oiapoque ao Chuí.
"Absurdo! Ela estava usando uma lantejoula prateada em cada mamilo e um fio-dental cor-de-pele tamanho PP, suficientes para que não se pudesse considerar aquilo como nudez imprópria para o horário e para a classificação indicativa de 12 anos ou mais!", afirmaram os diretores, produtores e advogados da Rede Globo. Afinal, nove horas da noite já é hora de criança estar na cama, e ninguém tem culpa se o Brasil abrange quatro fusos horários diferentes! Além disso, a audiência de Duas Caras está quase dando traço, e agora que já inventaram até ameaça de morte para o Aguinaldo Silva, só mesmo apelando pra Flávia Alessandra pelada.
A teledramaturgia brasileira já vem num crescente de pornografia softcore há algum tempo - ao contrário do cinema brasileiro, que trilhou o caminho inverso: da putaria desenfreada para o recatamento - e a tendência é que, já na próxima novela das oito, estejamos presenciando a primeira cena de sexo explícito da história da TV aberta no país. Só não vão me escalar a Cláudia Raio para o papel, porque daí a coisa já tende mais para a zoofilia homoerótica. Nada bonito de se ver.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Ma che stronzo!

Outro dia eu vi no Jornal Hoje uma notícia que, em um primeiro momento, me soou triste, depois acabou ficando até meio engraçada, e no final me estressou de uma certa forma que eu tive que vir registrar aqui. A manchete sensacionalista da vez era "Turista italiano é morto durante assalto no Rio". Até aí tudo bem, matar turista não é novidade e nem nunca foi. Entretanto, assistindo à reportagem até o final, descobre-se que este ser proveniente da terra da Cicciolina, enquanto passeava com a família no calçadão de Ipanema ou Copacabana (o que for mais chique), presenciou uma cena terrível: um neguinho passou correndo de bicicleta e arrancou a corrente de ouro do seu pai. Nisso, o maledeto sem noção sai correndo atrás do meliante, iniciando uma batalha corpo-a-corpo que culmina em ambos turista defunto e assaltante caídos no meio da movimentadíssima rua do calçadão, seguindo-se a isso o atropelamento do primeiro por um ônibus e a fuga do segundo. Agora, digam-me vocês: Esta pessoa morreu durante um assalto no Rio de Janeiro, ou ele era apenas idiota e, na verdade, já estava morto por dentro? Que correntinha de ouro é tão importante assim pro cara sair correndo atrás de um vândalo movido à duas rodas?
Notícia vai, notícia vem, e a imprensa italiana acabou divulgando notas ainda mais sensacionalistas do que as do Jornaleco da Globo, relembrando aos seus cidadãos (é sempre bom relembrar) que o Rio de Janeiro é uma das cidades mais perigosas do mundo, que no Brasil as pessoas têm rabo e que os comunistas comem criancinhas. A última? Colocaram até o BOPE atrás do menino que surrupiou a mísera corrente de ouro, só pra provar pros gringos que aqui no Brasil se faz justiça, sim, mesmo que seja apenas para cachorros pequenos e famintos.

domingo, 4 de novembro de 2007

Quase de volta...

Os últimos dias da minha monografia (e da minha sanidade mental) estão chegando.
Coisas boas estão por vir.
Aguardem.

domingo, 14 de outubro de 2007

Piores clipes do mundo (1)



Meus olhos doem.. Meus ouvidos doem... Detenham essa mulher enquanto há tempo. Eu já vi clipes ruins, mas isso já é atentado ao pudor. Pra quem quiser baixar, ou recomendar pros amigos, o nome da música é (muito apropriadamente) "Hold on", da adorável KT 'dentinho acavalado' Tunstall.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

"Isso aí que tá cantando é a cria do demônio que inalou gás Hélio"? "Não, mãe, é a Joanna Newsom".

Joanna Newsom é o tipo de artista que tu nem se dá ao trabalho de indicar pros conhecidos: primeiro porque dá vontade de guardar esta preciosidade só pra gente, e segundo porque tu sabe que eles vão sentir ânsia de vômito na primeira (e, possivelmente, última) vez que ouvirem a voz dessa mulher. Sendo assim, a cena que eu presenciei neste domingo último ainda me traz desconforto: meu pai, minha mãe, minha irmã, meu cunhado e eu, todos no mesmo carro, indo em direção ao Santander Cultural para assistir ao show da Joanna Newsom.
E o que é que foi aquilo, meu Deus? Nada nem ninguém poderia ter me preparado para aquele show. Diante de uma platéia atônita, que ia desde Tatata Pimentel até o Clube da Geriatria, passando por uma gangue de emos e outros espécimes da fauna local, essa mulher fez um show irretocável, tecnicamente perfeito, que me fez sentir mal por ter pago apenas dez reais pelo ingresso. Começou com "Bridges and Balloons", que abre o seu CD de estréia, e que eu tentei filmar sem sucesso por estar tremendo de emoção. Depois cantou "Emily", engolindo um dos versos por engano durante a execução, deslize pelo qual ela se desculpou ao final da canção. E depois veio "Cosmia", "The Book of Right-On", "Colleen", a brutal "Sawdust and Diamonds", a minha não tão favorita "Peach, Plum, Pear", além de uma música novinha em folha, que compete com qualquer coisa que ela já escreveu até hoje. De arrepiar mesmo. E assim foi indo, até que ela cumpriu o velho protocolo do "vou ali atrás e já volto, mas não foi porque vocês aplaudiram".
E voltou. E sentou. E perguntou o que queriam que ela tocasse. "Sadie", gritavam uns. "The Sprout and the Bean", gritavam outros, recebendo um enfático "não, me desculpe" da rapariga. Quando gritaram "Only Skin", eu pensei comigo mesmo "coitados de vocês que a mulher vai cantar essa música, que é a minha preferida do Ys, e que tem 16 minutos de duração, e que é uma das coisas mais devastadoras já escritas". Eis que ela começa: "...and there was a booming above you that night". Bom, a partir daquele momento, até os dias de hoje, eu fiquei arrepiado em todos os lugares que têm a possibilidade de ficar arrepiados. E rezo para que ela volte pra Porto Alegre, o que pode acontecer, a julgar pela receptividade dela e do público, que aplaudiu em pé por mais de cinco minutos (minhas mãos sangraram). Minha irmã, que apelidou a Jo (pra não ter que escrever Joanna Newsom...bom agora eu já escrevi) de Pato Donald, ficou com vergonha de dizer que gostou. Meu cunhado (que ri descontroladamente toda vez que ouve "Peach, Plum, Pear") também. Meu pai e minha mãe, que não davam nem um peido pela mulher, viraram fãs. E assim é a vida. Uns gostam de Joanna Newsom, outros são idiotas, e os outros mentem.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Pênis ou coração?

<3

Desculpem, não tenho tido mais tempo de postar aqui por causa da minha monografia, que está enlouquecendo a mim e à minha família toda. Portanto, fica aqui a dúvida: pênis ou coração?