terça-feira, 13 de maio de 2008

A Globo matou a Isabella

Isabella Nardoni voou pela janela há pouco mais de um mês. E há pouco mais de um mês as principais emissoras deste país têm vivido raro momento de euforia pós-desgraceira envolvendo criancinha mal-amada. Não se sabe se foi o pai quem estrangulou, se foi a madrasta quem arremessou pela janela, se foi a mãe quem agiu como mandante, se foi o avô quem comprou tintura pro cabelo para usar as luvas na adulteração da cena do crime, se foi a avó que entrou escondida e tacou a neta insuportavelmente sorridente janela afora... O que se sabe é que os Nardoni/Jatobá/Isabella-mãe estão fazendo a alegria dos medidores de Ibope da toda-poderosa Rede Globo ao, semanalmente, encenarem entrevistas para o Fantástico e outras atrações que garantem diariamente o 'quê' de qualidade da Globo.
A nova lógica do gerenciamento midiático de tragédias nacionais evidencia-se da seguinte forma: 1) menininha indefesa é lançada pela janela; 2) a Globo diz que os culpados são o pai e a madrasta da pobre infeliz; 3) o casal é preso, depois solto, e recebe incentivo financeiro para se expôr ao ridículo em rede nacional; 4) o casal é preso novamente em um espetáculo televisivo envolvendo paparazzi e uso indevido de algemas; 5) a mãe da falecida recebe proposta tentadora para segurar uma girafa de pelúcia enquanto é entrevistada pela Patrícia 'vendida' Poeta; 6) Muito satisfeita com as sobras, Luciana Gimenez entrevista o pai do suposto assassino.
Esgotando-se a seqüência dos fatos, podemos agora vislumbrar alguns dos possíveis desdobramentos do caso: 'Ana Carolina aceita ensaio para posar nua'; 'Exclusivo! Record mantém contato com o espírito de Isabella Nardoni, com auxílio da mãe Ilaiê de Oxum'; 'Boninho admite ter atirado a menina Isabella pela janela e é preso'; 'Alexandre Nardoni e Ana Jatobá mostram tudo que aprenderam na cadeia no mais recente pornô da Brasileirinhas'. Enfim, o de sempre...

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A Associação Brasileira de Agências de Publicidade tem o orgulho de apresentar...

...O pior anúncio de cerveja de toda a história dos anúncios de cerveja (considerando-se, hipoteticamente, que é possível escolher apenas um), escrito (provavelmente) por um funcionário da Ambev diagnosticado com morte cerebral. Eu não estou brincando: esse anúncio foi e continua sendo veiculado em jornais e revistas de qualidade duvidosa do Brasil a pedido da ABAP. É sério. Muito sério. Leiam com atenção (mas não muita):

Querem proibir a publicidade de cervejas no Brasil.

É o mesmo que proibirem a fabricação de abridores de garrafas no Brasil.

Nem a propaganda, nem o abridor são a motivação para irresponsáveis dirigirem embriagados.

A propaganda ou o abridor não são os culpados pela venda criminosa de bebidas alcoólicas a menores.

Abridores e a propaganda não são incentivadores dos covardes que praticam a violência doméstica.

Essas são questões que só a educação, a democratização da informação e o rigor no cumprimento das leis podem resolver.

Por isso, proibir a publicidade de cervejas não vai mudar em nada esse quadro.

A não ser tirar de você o direito de gostar ou não gostar desta ou daquela publicidade.

De se informar e de formar a sua opinião.

Um direito tão sagrado, quanto o que você tem de comprar ou não um abridor de garrafas.

E decidir o que fazer com ele.

E depois de regurgitar violentamente, leiam isso.

Após ter assistido a menininhas sendo jogadas janela afora, ter visto a terra tremer em São Paulo, ter visto um padreco alçar vôo utilizando balões de festa infantil e ter sentido muita pena do Ronaldo Gordo por ele ter traçado três travestis barangas, tenho motivos suficientes para crer que estamos nos aproximando do apocalipse, meus amigos. Aquele abraço!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Coisas que eu aprendi assistindo à entrevista com Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá

- O advérbio 'sempre' pode também ser utilizado no plural, quando precedido de 'nós' ou 'eles', como no caso de 'nós sempres fomos uma família feliz' e 'elas sempres se deram bem como se fossem mãe e filha'. Utiliza-se também a forma coloquial pluralizada 'nozes sempres', mas apenas em casos muito específicos, como, por exemplo, uma entrevista para o Fantástico.

- Nota mental: se algum dia a minha amante estrangular a minha filha e eu for obrigado a jogar a criança pela janela, é sempre bom lembrar de tirar as Havaianas antes de subir na cama e cortar a rede de proteção.

- 'As pessoas ficavam jogando areia em cima dela' foi a descrição mais tocante e singela de um enterro de que se tem notícia em tempos recentes.

- Em seu novo apartamento, Alexandre e Ana Carolina ainda não haviam tido a oportunidade de se pegar no tapa de forma selvagem, coisa que ocorria com frequência no apartamento antigo. Entretanto, peritos afirmam que uma possível briga inaugural e o arremeso de Isabella podem estar relacionados de alguma forma.

- Se a Suzane Von Richthofen fosse filha do Alexandre Nardoni e da Ana Carolina Jatobá, quem iria sobrar pra dar entrevista pro Fantástico?

- Não entendi a parte em que o Alexandre prometeu sobre o caixão da filha que iria encontrar o desgraçado que a colocou dentro do ataúde e o fazer pagar por isso. Sem amor pela vida, total.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Sinopses reais da Sessão da Tarde (1)

Enchente: Quem Salvará Nossos Filhos?
Um grupo de jovens evangélicos estão num acampamento, raio de luz. Uma poderosa correnteza faz o grupo se separar. Muitos não tem forças para tanto!!! Enquanto as crianças tentam sobreviver, as famílias vivem o desespero da dor!!!

Obs: SIC!!!

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Beijo na boca é coisa do passado...

...a moda agora é, é jogar os filhos pela janela. Claro que não é novidade pra ninguém que hoje em dia tá chovendo criança de norte a sul do Brasil, e o caso Isabella é mais um desses em que o jornalismo da Globo (de novo ele!), mais especificamente o Jornal Hoje de 04/04, sai na dianteira para garantir que o seu almoço não será digerido da forma correta e que você terá pesadelos envolvendo criancinhas sendo arremessadas por janelas e aterrissando bem na sua cabeça.
Quando eu pensava que já tinha visto de tudo, e que já havia me tornado imune à perversão sado-jornalística da emissora do tio Roberto, me aparece uma reportagem em que um psicanalista de competência profissional duvidosa vai às ruas de São Paulo para perguntar o quão chocadas as pessoas ficaram ao ouvir a notícia, posteriormente tentando explicar por que o fato de uma menina inocente e azarada que foi lançada através da rede de proteção do quarto dos irmãos já em processo de óbito provocou tanta comoção pelo país afora na última semana. Faz-me rir. Teve até gente dizendo que tem medo que isso aconteça com a própria família em um futuro próximo (?). Sandra Annenberg: menos um ponto pra ti.
A reportagem - de fazer inveja à produção do programa da Márcia Goldschmidt - pode e deve ser conferida neste link que está sendo repetido incessantemente durante o post. Ou aqui embaixo mesmo, agora que eu descobri como se faz (mais ou menos, como deu pra perceber).


Deixa de ser dengosa, Fátima Bernardes!

Enquanto o casal de jornalistas mais frígido deste lado do Atlântico segue com a sua série de reportagens sobre dengue envolvendo trilha sonora de filme de terror B e montagens sensacionalistas sobre as milhares de crianças inocentes que estão perdendo suas vidas por causa do maldito do aedes aegypti, o povo continua levantando questões importantes e espalhando informações de validade científica nula pelo país afora. Muitas dessas dúvidas nunca serão esclarecidas, pois Fátima e William estão choramingando atrás da bancada ao invés de tratar o tema com a seriedade e profissionalismo que ele exige. Pensando nisso, eu compilei abaixo algumas frases que eu ouvi por essas semanas, a fim de ilustrar o alto nível de desinformação perpetuado pelo casal Bonner e cia.:

"O mosquito da dengue só pica até à altura do joelho".
"Cuidado pra não tocar na água parada senão tu vai pegar dengue!!111".
"Tá com surto de dengue em Porto Alegre, minha gente!!!".
"O Luciano Huck pegou dengue da Grazi Massafera e foi se tratar numa ilha particular em Angra dos Reis. Deu no SuperPop!".
"Se eu usar calça o dia inteiro, dedetizar meus filhos com Off Kids! e comprar uma raquete elétrica, a minha família está livre da dengue?"
"Tem mosquito normal por aí se fazendo passar por aedes aegypti só pra confundir o povo. Não pode".
"Eu bebi o filhote do mosquito da dengue por engano. Quais são as chances de eu contrair a doença?"
"O César Maia tava falando sério naquela entrevista pro Jornal Nacional ou ele contraiu dengue e um dos sintomas é a regurgitação verbal?"

terça-feira, 1 de abril de 2008

Como se tornar uma pessoa sociável em cinco passos

1) Cumprimentar estranhos na rua, desde o mendigo que se finge de manco depois do meio-dia na Mariante até a equipe de limpeza da sala de cinema mais furreca da cidade. Fazer sinal de legal pro delinquente do motorista de ônibus que tá te pedindo passagem e abraçar e beijar todos os convidados de uma festa de gente chata e estranha também tá valendo. Simpatia é essencial.

2) Participar ativamente em pequenas conversações do dia-a-dia, mesmo que para isso você precise abdicar da sua política interna de bom senso. Experimente inserir em uma conversa constatações do tipo óbvio ululante, como 'que calor é esse, hein?' (muito útil em momentos de silêncio constrangedor no elevador); ou então algum tipo de comentário político genérico, como 'esse Lula é um lesado com nove dedos que só viaja' ou 'americano é tudo filho da puta', hits garantidos, principalmente na região sul.

3) Concordar, fingir interesse e completar diálogos incrivelmente entediantes. Quando aquela véia chata e reumática senta do teu lado e começa a conversar sobre a crise de hemorróidas aguda que a mãe do cunhado da namorada do filho vem sofrendo sem poder sentar por cinco meses, ou sobre o cisto sebáceo no testículo esquerdo do marido dela, que dificulta a penetração, só te resta imaginar um lugar feliz, concordar com a cabeça e, de vez em quando, completar uma frase ou outra dela, utilizando a técnica sanduíche-iche da repetição uníssona com delay, ou seja, assim que a pessoa estiver prestes a terminar uma palavra-chave que tu sabe como termina, tu vai lá e tenta completar mais rápido do que ela, agregando valor à conversa e fazendo a outra pessoa pensar que tu realmente tá interessado.

4) Tornar-se uma fonte inesgotável de mentiras brancas, muito úteis na conquista de novas amizades e novos relacionamentos amorosos. Por exemplo, quando a pessoa chega pra ti e pergunta 'tu gosta de Babado Novo?', primeiro tu respira fundo, resiste à tentação, e depois responde 'putz, adoro Babado Novo, tenho todos os CDs, tu tem que ir lá em casa ouvir' ainda tendo a opção de acrescentar 'e digo mais: Extravasa é um clássico da música popular brasileira desse início de século'. No começo pode parecer difícil, mas depois a coisa ocorre meio que automaticamente e tu já vai logo dizendo 'nossa, Casseta e Planeta é bom demais! Realmente, o Bussunda deixou um vazio no meio humorístico brasileiro e no meu coração também' ou então 'caaara, O Albergue é um filmaço! As atuações foram ótimas e aquela cena em que o cara corta o olho da japa fora foi muito convincente'. Não tem como errar.

5) Passar menos tempo na frente do computador, vendo putaria e lendo blogs chatos. Experimente começar agora.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Sobre tremas e ditongos abertos.

É, pessoal. Cagüete caiu. Seqüelado caiu. Quinqüenio caiu. Seqüestro caiu. Lingüiça caiu. Björk caiu. O trema morreu. E vão enfiar k, y e w no nosso alfabeto, para que os Waldisneys, Maycons e Keylannes desse meu Brasil não se sintam mais marginalizados ainda. Além disso, não se diferencia mais graficamente o pára do para, sendo que Pará continua acentuado até que se prove o contrário. E aqueles alunos das legendárias redações do Enem vão poder dormir sossegados, porque vêem, crêem, lêem e qualquer outro verbo ou palavra onde haja repetição de vogais não precisam - ou não podem - ser mais acentuados. Em outras palavras, preencher cheques e escrever redações para o vestibular acabam de se tornar tarefas muito mais agradáveis.
[/notícia velha]

sexta-feira, 7 de março de 2008

Campanha 'Contratem novos redatores para o Terra TV'

Porque quando eu leio a chamada 'Crianças comem bolo envenenado; assista!', eu sinto mais medo do que a Regina Duarte em época de eleição.


terça-feira, 4 de março de 2008

Viva o lado Coca-Cola da puta que o pariu!

Quando eu entrei na faculdade, meus familiares e amigos diziam coisas como 'vê se tu faz alguma coisa pra poupar a gente de tanta propaganda ridícula' e 'esse curso tem tudo a ver contigo'. Agora que eu saí da faculdade, eu vejo que a publicidade não tem salvação e, o pior de tudo: as pessoas realmente gostam dela, o que me dá vontade de enfiar um canivete na orelha e extrair pelo ânus de tanta raiva. Mas, digressões à parte, alguns tipos de publicidade se destacam dos demais por serem tão arcaicos e intelectualmente ofensivos que eu fico me perguntando se alguma pesquisa de mercado mostrou que eles são, de fato, eficientes.
Encabeçando o top 3 da publicidade degradante temos o falso testemunho, do tipo 'o meu dentista só usa esse creme dental, é incrível, ele acaba com 12 tipos de perebas bucais que não existiam até o século passado, só que ele pediu pra não mostrarem o CRO dele no comercial, porque na verdade ele não existe e foi criado pelo redator dessa bosta de campanha que viajou no tempo diretamente da década de 40'. Ou pior ainda quando colocam a Malu Mader pra falar de beleza feminina e recomendar produtos de asseio vaginal e etc quando ela mesma vem travando uma batalha pessoal contra sua monstruosa monocelha que já dura mais de vinte anos.
Logo em seguida temos o nonsense publicitário por falta de criatividade, que se divide em inúmeras subcategorias, como o escatológico e o acompanhado de prostituição infantil. Nesta categoria enquadram-se o 'quero cagar na casa do Pedrinho e jogar Gleid em cima pra tirar o fedor miserável da minha própria merda', todas as campanhas de cerveja - que, impossibilitadas de se calcarem em vantagens e benefícios do produto, afundam cada vez mais na bosta lamacenta dos clichês estereotípicos do homem desprovido de cérebro e da mulher biscate de botequim - e coisas como pessoas escorregando em escadarias utilizando caiaques ou slogans muito bons para serem reconhecidos em sua própria época, como o do Guaraná Antártica, que é o que é, e o da Pepsi - que, muito inteligentemente, enterrou o dadadadada a sete palmos.
Em último lugar, mas não menos insuportáveis, encontram-se as campanhas fantásticas de mistificação enganosa do produto, como aquela que dá nome a esse post, por exemplo. Quer dizer que, dentro da máquina de Coca-Cola, habitam uma inifinidade de seres hermafroditas que produzem aquele líquido cancerígeno e perigosamente viciante em meio a orgias alienígenas e paradas de júbilo à garrafa mais famosa do planeta Terra? Será que, em algum lugar do mundo, um CEO está querendo esconder o fato de que os nossos filhos vão nascer com as orelhas grudadas nas costas e com o pênis cravado no meio da testa devido a ingestão dessa meleca preta gaseificada? Hm, interessante. E o tal do McDonald's, que agora está querendo se posicionar como concorrente direto da Substância Light?! Gerações de crianças cresceram com o 'dois hambúrgueres alface queijo molho especial cebola picles num pão com gergelim é big mac plim' na ponta da língua, e agora os caras vendem maçã criada em laboratório e suco de laranja com gominhos artificiais de plástico pra tentar encobrir o estrago, mostrando sempre em sua publicidade crianças pervertidas que dão em cima de adultos e terminam com cara de trouxa para a câmera.
Passamos por um momento triste na publicidade. Tão triste que faz o filme do Casseta e Planeta parecer divertido. Faz a Ana Maria Braga falando com o bonequinho do Carrefour parecer aceitável. Faz eu ter vontade de recomeçar a minha vida como fiel da Igreja Universal do Reino de Deus. É, o curso não tinha nada a ver comigo, afinal de contas.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Crueldade com animais em horário nobre

Pedro Bial: Vamos fazer contato mais uma vez com os tripulantes da nave Big Brother. Boa noite, bravos guerreiros!
Uníssono dos bravos guerreiros: Boa noite, Bial!
Pedro Bial: Pessoal, a prova que irá definir o líder da semana é muito simples, mas para que eu possa explicar tudo nos conformes, peço que se dirijam ao lado de fora da casa.
[...]
Como vocês podem ver, nós temos nove colchões espalhados pelo jardim. Dentro de oito deles estão espalhadas seringas contaminadas com o vírus ebola. Tudo que vocês tem que fazer é escolher um colchão, deitar nele e esperar para que o pessoal da produção conecte eletrodos nos seus órgãos genitais e insira uma sonda anal em cada um de vocês. Feito isso, os colchões serão submergidos em tanques de água não-potável, e o participante que conseguir ficar mais tempo sem se mexer é o grande vencedor. Sempre lembrando que o vírus ebola é letal e que os eletrodos podem ou não causar esterilidade precoce combinada ou não com perda total da sensibilidade na região púbica. Atenção! Quando eu disser já...
[...]
Já!
[Juliana queima a largada]
Juliana, você está eliminada. Isso não significa apenas que você já está no paredão de terça-feira, mas também que você será levada para um quarto escuro onde será estuprada por cinco presidiários soro-positivos bem-dotados pelas próximas três horas. Lembrando sempre que está proibido o uso de preservativos e pílulas anti-concepcionais, e que apenas os assinantes do Pay Per View terão acesso exclusivo às cenas quentes da sodomização de Juliana. Uma boa prova pra todos, e até amanhã. E agora, vamos dar aquela espiadinha!?

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Tropa de Elite recebe o Urso de Ouro

Na condição de único brasileiro vivo que não assistiu Tropa de Elite, só me resta dizer: parabéns, José Padilha. Pelo menos até eu assistir o filme.

Registros aleatórios feitos durante a minha viagem

- Eu vi as barbas do profeta de perto, em Istambul. E não só as barbas como também os dentes, o cabelo e o cajado que ele usou para abrir o Mar Vermelho, igualzinho no filme dos Dez Mandamentos.

- Em Portugal, quando a gente pede água eles não perguntam se tu quer com gás ou sem, e sim se tu quer fresca ou natural, o que pode ser muito confuso no início.

- Embora se pense que os franceses não são lá muito fãs de banho, foi no vôo da Turkish Airlines que eu vi a face da morte bem de perto.

- Habib quer dizer 'amor' em árabe, e não 'gênio morbidamente obeso' ou 'esfiha de gente morta', como se poderia pensar aqui no Brasil.

- As mulheres portuguesas têm o bigode mais bem-feito do que o meu.

- Após sair ileso do trânsito egípcio, desenvolvi um amor todo especial pelo trânsito brasileiro.

- Se tu souber pechinchar, os turcos vendem a mãe, as irmãs, a filha e tu ainda leva a sogra de brinde.

- Pastéis de Belém são uma experiência sexual religiosa orgástica.

- Cheguei desarranjado no aeroporto de Atenas e encontrei o banheiro fechado para limpeza, no que a faxineira falou grego comigo e eu saí correndo para o banheiro de deficientes.

- Eu vi a Asena, a melhor bailarina de dança do ventre do mundo, ser leiloada para um velho broxa depois de um jantar-show na Turquia.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Calma, minha gente, é só a marca do fogão!

O servidor quebrou, tive que trocar o número do celular, mudar de endereço e sair do Brasil por umas duas semanas após o sucesso estrondoso do meu blog pelo país afora. Mas as coisas estão voltando ao normal e prometo retornar às atualizações constantes a partir de...já.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Zeca Camargo assume sua homossexualidade.

Não que isso fosse mistério pra ninguém, mas, em um post recente em seu insuportável blog, o jornalista - que, ao lado de Glória Maria, mostrou para o mundo inteiro que pessoas sem carisma e talento podem, sim, apresentar o Fantástico - resolveu vestir o fru-fru, calçar a sapatilha e assumir seu amor incondicional pelo homossexualmente clássico filme Xanadu. Pra quem nunca ouviu falar nesta maravilha do cinema da década de 80, trata-se de um marco na carreira de Olivia Newton-John, cujo papel é o de uma espécie de biscate do Carrefour que ultrapassa essa dimensão ao se jogar contra um muro em algum momento do filme, antes ou depois da cena clássica do trenzinho de patins, parodiada e/ou copiada por Austin Powers, Madonna, entre outros.
No post - que, como de costume, é longo e chato pra caralho - o Zequinha revela ainda sua tara por patins cor-de-rosa e admite ter soltado a franga e gritado feito uma menininha pré-pubescente durante uma apresentação do musical Xanadu na Broadway. Mas quem sou eu pra estragar a surpresa? Corram lá e leiam na íntegra a confissão homoerótica do rapaz.

sábado, 19 de janeiro de 2008

A gente percebe que tem alguma coisa errada no mundo quando...

...tu acorda e o teu pai tá chorando na frente da televisão porque o Fernando venceu a Prova do Anjo e recebeu uma carta da mãe que ele só vê uma vez por ano.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Falso testemunho é o fim. E vai contra os dez mandamentos!

Campanhas de conscientização raramente fazem aquilo a que se propõem: conscientizar. Quando o público-alvo são os adolescentes, então, é mais fácil enumerar os filmes brasileiros em que o Caio Blat não aparece do que colocar um marmanjo nos eixos.
A última campanha da RBS - após sucessos como 'Educar é tudo', 'O amor é a melhor herança, cuide das crianças' e 'Paulo Sant'anna, volta pro caixão' - é dirigida aos jovens gaúchos e o seu péssimo comportamento no trânsito. A sacada é a seguinte: se a gente pegar algumas atrizes globais gaúchas que fracassaram em Malhação e colocar elas pra dar depoimentos de cunho sexual leve em pleno horário nobre, talvez os adolescentes se sintam intimidados e criem vergonha na cara de uma vez por todas.
Mas nem tudo são flores no mundo colorido das campanhas de conscientização. Se a Letícia da Malhação não gosta de uma rapidinha, isso é motivo pra parar de beber antes de dirigir? E se a neguinha que acha que é branca na novela das oito não é lá muito fã de sexo anal, isso significa que eu vou pensar duas vezes antes de frear em cima do carro da frente? Não sei se entendi direito, mas sabe o que eu acho? Essa campanha é o fim.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Cinco coisas que me irritaram em 2007 (Não necessariamente nessa mesma ordem)

1) Banalização do 'Vai tomar no cu'
Tudo ia bem no mundo dos palavrões de leve intensidade, até que um dia chega uma atriz fracassada de terceira idade e coloca 'sem querer' um vídeo no iuiutubiu e toma o Brasil de assalto. Não demorou uma semana para que o país inteiro estivesse assobiando a melodia pegajosa e se aproveitando da oportunidade dourada para mandar os outros tomarem bem no meio do olho do cu - carinhosamente, é claro. Ringtone vem, cover da Eliana vai, e o vai tomar no cu acabou ganhando até prêmio no VMB, após ter sido considerado 'maravilhoso' por Jô Soares e outras aberrações do meio artístico. Me irritou muito, e qualquer um que ameace apenas cantarolar essa coisa perto de mim leva logo um 'vai te foder, seu filho da puta', muito mais eficaz e satisfatório, embora não musicado (ainda).

2) Fone de ouvido sem fio para celular
Tudo bem, não é novidade, eu sei disso. Mas me irritou em 2007, e esse é o nome da lista. Na minha concepção, simplesmente não é normal ver uma manada de molóides que parecem ter saído de um episódio ruim de Emmanuele - A Rainha das Galáxias transitando livremente pelas ruas, falando sozinhos e achando que são parte da revolução digital. Mal sabem eles que são motivo de chacota para as outras pessoas - como eu, por exemplo - que não conseguem entender como é que um indivíduo atarracha aquele vibrador portátil na orelha e sai falando e gesticulando como se aquilo fosse normal e aceitável. As vezes eu tenho que pensar duas vezes antes de responder prum imbecil desses que vem na minha direção, e isso é humilhante para ambos. Pessoal: fone de ouvido sem fio para celular não pegou. Não adianta insistir.

3) Overdose de Ivete Sangalo
Quem quer que seja a pessoa que aconselhou a Ivete Sangalo a cortar franja - ou colocar uma peruca com franja - deve estar rindo à toa nesse momento. Porque ela ficou ridícula. Se já parecia macho, agora parece um traveco em fase de decadência profissional. Mas isso não vem ao caso, porque o que me irritou em 2007 não foi só a franja masculinizadora da Ivetinha: foi o número de vezes em que eu liguei a televisão e tive que ouvir um dos jingles medíocres vociferados pela madrinha do Babado Novo e outras ervas daninhas da música brasileira. É cerveja, é chinelo de borracha, é tintura de cabelo... O número de aparições da pequena mulher macho é de fazer inveja até ao Ronaldinho Gaúcho, que foi pra geladeira publicitária há alguns meses mas promete voltar com tudo em 2008. Haja saco.

4) Os (vários) shows de despedida de Sandy e Júnior
Ah, o último show da Sandy e do Júnior. Que momento marcante para a história da MPB, que ruptura tão grave na carreira dos irmãos incestuosos mais queridos do Brasil. Mas quantos shows de despedida são necessários para dar adeus a um público em prantos? Seguindo a estratégia mercadológica de Harry Potter, Barbara Streisand e Glória Maria, Sandy e seu backing vocal estão se despedindo mensalmente, lançando coletâneas de maiores sucessos, DVDs acústicos, bonecos infláveis, e, conseqüentemente, higienizando as suas partes íntimas com notas de US$100 e leite materno da Zilu. Para desespero de seu irmão, Sandy ameaça fazer carreira-solo, como se ela não estivesse seguindo carreira-solo desde os tempos da pornográfica 'Abre a porta, Mariquinha!', canção-tema dos pedófilos desse meu Brasil... E cá pra nós, se eu fosse o Júnior, eu também estaria desesperado.

5) Dança do siri
Auto-explicativo. Se você tem amor a Jesus Cristo, aconselho que não mencione ou simule a coreografia desta piada sem graça perto de mim, senão eu pinço a sua genitália e dou um novo significado pra essa putaria toda. Falando sério.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Se eu abraçar uma árvore, posso cortar outras duas fora? Por favor!

Publicidade é realmente coisa mais linda de Deus. Os caras conseguem fazer até CO2 engarrafado parecer ecologicamente correto hoje em dia. É só perguntar pro imbecil que criou o comercial daquele carro cujo nome eu não faço questão de lembrar agora. Aquele comercial com uma redação que envergonha até o Paulo Coelho, onde o carro vai passando pela cidade, e a criação da agência tentou estabelecer semelhanças entre elementos urbanos e elementos da natureza. "Para mim, lombada é jacaré, grade é teia, janela é olho, mídia exterior é esterco", entre outras comparações que me deixam triste e me fazem trocar de canal. Como se a equação carro + natureza = felicidade suprema emocionasse alguém. E tem outra da Honda, que eu não vi inteira, mas que em algum momento um pica-pau forma o logotipo da empresa dando bicadas em uma árvore. Carro. Natureza. Tudo a ver. "Olha que bonitinho o pica-pau desenhando o símbolo da Honda", diz o coro das vovós noveleiras do meu Brasil. "Essa tal de Honda se preocupa com o meio ambiente, igualzinho àquele banco que a gente faz o símbolo com o dedo indicador e àquele supermercado que sempre faz comercial de Natal envolvendo criancinhas com histórias de desgraça acompanhadas por músicas da Adriana Calcanhoto". Só se for. Empresas que usam responsabilidade sócioambiental como estratégia de vendas se preocupam tanto com o meio ambiente quanto uma prostituta se preocupa em pegar herpes genital em um banheiro público. Ou seja: até que isso comece a influenciar diretamente no negócio delas. É essa a triste realidade que eu prometo combater uma vez formado *cof* em publicidade *cof*, publicitário por publicitário.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Moreno, 1,89m, 69kg, vendo meu corpo pra pagar formatura

Publicitário tem mania de sempre tentar parecer espertinho, ousado, imbecil... E, na maioria das vezes, fracassam miseravelmente nos itens número um e dois.
Escrevo isso enquanto olho para o convite da minha formatura, uma espécie de prostituição velada misturada com um toque de humor publicitês de penúltima categoria. Digamos que eu fui chamado de 'carne nova no mercado', e que o meu majestoso semblante se encontra estampado em um bife de segunda, embalado em plástico filme dentro de uma bandeja de isopôr. Com direito a carimbo e código de barras. Grave assim. E para colocar um pouco de tempero na mixórdia toda, nada melhor do que um sachê de Sazon contendo informações sobre local, data e hora da recepção dos convidados (aqueles que não se sentiram ligeiramente ofendidos ao receberem tão grotesco convite). O consenso no dia da entrega dos bifes era algo do tipo "puta que pariu, agora com que cara eu entrego isso pra minha família?". O negócio agora é sentar, esperar e rezar para que as piadinhas de cunho sexual cessem depois do dia da formatura.